sábado, 22 de agosto de 2009

Narrador-personagem, na terceira pessoa...


O que se deve esperar de um amor?
Não saberia...
Nunca!
A garota olhava a janela, sem atenção mesmo...
Dentro dela, fervilhavam idéias.
Tinha tido um vislumbre de romance...
Achava que era amor,
aquela vontade de estar junto,
sentir o coração bater mais forte, as mãos frias, os pés incertos...
Sim, estava amando!
Com certeza tinha havido algo a mais naquela troca de olhares tão rápida...
Da sua janela, podia ver o tempo passar lentamente, sob as rodas dos carros apressados...
Sua juventude acompanhava os carros!
Poderia então levantar as colunas do que seria sua grande história...
E enveredou-se por completo...
Um dia, ao terminar seu amor-arranha-céu,
teve o ímpeto de descer, e contemplá-lo...
Não havia escadas...
Lá em baixo, tudo havia tornado-se delírio...
Os ruídos dos fatos, chegavam a ela baixos, quase sussurros do tempo...
A noção de tempo dela havia ruído, junto com a realidade que pôde vivenciar um dia...
"-As nuvens não são para humanos",
lhe resmungou o céu...
Mas havia se afeiçoado àquilo tudo,
e ao seu arranha-céu tão grande, e sem escadas...
Vazio, vazio como ela...
Seca de tantas coisas...
Suas forças, construiram todas as paredes,
seus esforços, davam liga ao concreto das crenças depositadas...
Já estava exaurida, e muito só.
Chegou-se ao para-peito, e olhou o chão...
Estava tão longe...
Não tinha o chão, nem totalmente o céu...
Nem ao menos asas tinha...
Cedeu!
Havia se enganado, decerto...
Deixou o a firmeza do vento tomá-la por completo,
e num impeto auspicioso,
deu-se ao ar!
Pode ver as nuvens distanciarem-se,
e seu prédio tornar-se uma dura realidade...
Nunca havia sido um sonho...
Fechou os olhos!
Depois, nada mais sentiu...
Alguém olhou-a estatelada, e não entendeu... Prosseguiu...
Nada mais...
O prédio ficou lá,
incompleto,
como a vida dela...




PS: Eu e essa mania de escrever na terceira pessoa...
é como se visse um espelho dinâmico de tudo que me incomoda...
Sobrepõe-me!
Acabo sendo eu no espelho, no meu pior ponto-de-vista...
Acabo eu sendo a terceira pessoa intrinseca,
e a voz do personagem intruso uma acusação...



terça-feira, 18 de agosto de 2009

Despedida(S)


Meu amor, quando te decidirdes a partir, nem te despeças...
Espera uma hora, em que serena, eu durma, e não possa ouvir tua partida...
Não me deixes carta alguma, peço-te, vai, repentinamente como viestes, sem aviso...
Leve todas as tuas coisas... Leve a foto da estante, e me deixes como antes, sem as tuas recordações...
Leva embora teu cheiro, dos meus lençóis, leva embora teus beijos, tuas breves despedidas...
Deixa-me como antes, sozinha no silencio...
Mas, quando fores, deixa as chaves na estante da sala, junto ao coração empoeirado, que teimosamente esquecestes sob os retratos...
Vai sem fazer ruído, e depressa, que meu sono é leve, e o sofrimento é intenso...
Não quero recordar o teu olhar retrospectivo, ao fitar os tapetes e as cortinas, que burlavam o mundo,
das nossas fantasias...
Não quero ver se vai chorar, ou suspirar aliviado, nem quero me perder em pensamentos de argüição...
Não! nem quero saber porque partistes...
Quero acordar, e ver o teu vazio inquietante...
Perceber o teu lado da cama intacto, sentir o silencio sem o teu respirar gostoso, ver a tua gaveta vazia!
E ainda, poder me convencer, que apenas havia sonhado... Que nunca existiras, de fato...
Vai amor, logo enquanto durmo, enquanto teu lado na cama ainda esta quente, e eu não posso sentir o frio do teu despertar...
Nas estantes, tuas imagens arrancadas dos porta-retratos às pressas, deixaram a marca da imprecisão... E o teu rastro molhado, da porta do banheiro ao espelho, deixa as pistas escorregadias dos teus dias incalmos...
Ai amor, te apresses, e vai... Não quero que vejas as lágrimas do meu desesperar, nem percebas a tristeza da minha vivência incomoda...
Lá fora, o sol brilha, e acende a áurea...Cá dentro, o vazio se agiganta, e a dor se concubina com a solidão da tua ausência...
Seguirei ao acordar, os teus passos, e tocarei tua despedida, ao virar a maçaneta...
Que sejas certo, e firme, como espero... Mas a porta, permanecerá entreaberta...


OBS: meu simples ver, de todas as despedidas...
Posso dizer, das minhas próprias, que machucam tanto,
e acabam sendo inevitáveis...
Mas despedidas são necessárias!
Eu acho...
Depois todo o vazio vira poeira...
Meus amigos, prometo q logo, logo posto algo legal...beijoOs...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Castelo Arranha-céu


Não seria sempre princesa,
Nem sabia se o era.
Torres altas nada diziam de genealogias!
De lá,
O céu próximo era um convite para o vôo, em manhãs claras,
E um coral para sua solidão, nas horas de chuva...
Nada dizia, nada!
Nem os pássaros voavam tão alto.
Nem ela lembrava como ali havia chegado...
Mas era triste, triste, a princesa,
Sozinha, enclausurada...
Sua tristeza ecoava,
Tranqüila, tranqüila,
Sem impedimentos...
Só tinha os próprios pensamentos
Num castelo imenso, imenso
Protegido por longos muros de pedra...

Sua dor se derramava, sobre as colinas distantes
Era o choro dela, da cor do arco-íris...
Mas que cores entristecem os montes?
Ela não sabia.
Nem queria...
Só chorava, solitária,
Em sua torre isolada.
O azul do céu próximo,
desdenhava sua alvura confinada,
E ainda distinguia seu sorriso triste, das nuvens...
Mas se sentia sozinha, sozinha a princesa,
Seu coração doía.
Suas batidas serenas, serenas,
ecoavam sem impedimentos
Na torre vazia.
Só tinha o próprio consolo
Num castelo imenso, imenso
Protegido por longos muros de pedra...

Ah, pobre princesa,
Ninguém sabia o nome dela,
Princesa sem corte, sem súditos, sem príncipe encantado...
De pouco, seus olhos viraram espelhos, e ela era o reflexo de suas paredes puídas...
Não lembrava mais a própria voz,
Nem reconhecia as palavras
A última poesia havia morrido de sua memória.
Sentou-se calada, calada,
Quase muda:
A boca preenchida de silêncio.

A princesa do castelo arranha céu,
Esquecida, inerte, como espelho.
Reflete as paredes de pedra lavrada,
Cimentada de concreto, e óleo de baleia.
Na sua torre protegida e solitária,
Definha suas últimas considerações de vida.
Ela continua sozinha, sozinha,
Tem apenas a própria solidão,
Ou mesmo a sua própria presença insignificante
Naquele castelo imenso, imenso,
Protegido por longos muros de pedra,
Construído com suas próprias mãos.
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