sábado, 27 de fevereiro de 2010

Bebamos, até o fim...


Abdico de todas as forças, de toda a vida e energia armazenada em minha matéria...
Só desejo a ti ó morte, e dedico a minha fidelidade.
Ansiosa espero, teu momento sublime,
Em que todas as tormentas serão amenizadas, e toda dor extirpada.
No último suspiro, o beijo, que não encontrei em nenhum dos amantes. O beijo com doce amargo do verso, que inteiramente te dedico.
Desejo-te morte, com todas as células do meu corpo, que em vão esforço, entram em metáfase, prófase, anáfase, telófase até serem duas, quatro, oito...mil...milhares...milhões!
Abdico, de todos os pensamentos, de todas as idéias, que foram minha sentença.
Só desejo o meu momento a sós contigo, e depois só o silêncio.
Ansiosa espero o fim sublime.
Nos últimos suspiros, o farfalhar do teu serviço, gozando meu corpo, como o amante que jamais terei.
Desejo-te morte, porque não passo de uma fracassada. Uma que não soube lidar com a vida, e agora teme o futuro que escorre pelas mãos.
Preferia não ver o porvir, não ter que decidir, que sofrer...
Brindemos e bebamos!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Luta pela Sobrevivência


Que viva o mais apto,
o que num delírio instintivo,
possa, pelo acaso mínimo conhecido,
ser mutante passivo,
sem escolhas,
e perpassar a barreira imune da morte,
perpetuando sua raça nobre.
Diz a justa lei da Natureza.


Homem miserável,
criatura singular e parca,
Nojenta, invenerada*!
Crê, ser o centro de tudo,
e de tudo, quer um pouco,
esquecendo, que é criação igual a todos os outros,
esquecendo, que o seu destino, é a decomposição pelos saprófagos.


E que morra,
tendo acometido o mundo,
de sua ignorância ingrata,
desdenhando os milhões de mudos,
seres incapazes de dizer com palavras o sofrimento.


Mas antes, que passe adiante a informação espúria,
o manual embolorado e podre,
evidenciando as fraquezas torpes,
e os delírios ingênuos, e as safadezas incautas!


Sim,
é luta vã e desacreditada,
usar a forca, da humanidade dilacerada,
para sobreviver às consequencias premeditadas,
pelas ações idiotas e sujas,
dos que por inconsciência malévola,
perpassaram genes tão ruins.
PS: Pena, que a justa lei da Natureza, favoreça algo tão ruim, que é essa essência nojenta de uma raça tão Egoísta!
* Invenerada- licensa poética: que não possui motivos de veneração.



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Aforismo II

Talvez, na nossa ânsia desmedida por criar,
esqueçamos que as nossas canetas, só riscam papéis,
e não destinos.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Ousando...

Eu ousaria tentar escrever, as ondas do meu destino.
Desafiaria o ar, a gravidade, e voaria.
Gravidez nenhuma (ou dogma) me prenderia, a comodismos, sexo morno e convivência "austera"...
Teria um par de asas,
e de um tanto questionável de sons, escolheria o silêncio,
para que a razão não doesse frente às verdades gritantes.
De gritante, só o vermelho encarnado da paixão,
minha, e dele...
Cor do coração seria arroxeada, do sangue não-oxigenado,
que vem dos tecidos, infectados, de carbono ácido,
e energia gasta com a poética miraculosa de perder o fôlego...
A tinta da caneta, seria reciclada,
nos fatos que adoraria dependurar nas paredes,
e ostentar para toda gente que não acredita em bobagens.
E são incríveis as bobagens premeditadas,
que se remendam nas decisões precipitadas,
e consciência nada ajuizada!
Escolheria o truco, a farsa, a aposta!
Apostaria entredentes os marcos, os pontos, os às...(seriam fortunas!)
Irresponsabilidade, é para quem tem coragem!
Quem pode peitar a ordem natural das coisas, e numa rotação infinentesimal, de causas e consequências,
desviar o padrão de acontecimentos, e aproveitar as asneiras inteligentes, para ser!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Nascimento...


Os olhos abriram-se num repente.
A escuridão morna e farta, em segundos foi totalmente substituída por uma luz proveniente de alguma fonte desconhecida.
Não podia sentir a extensão do seu corpo indefeso, com as barreiras protetoras do ventre.
Era só ele, e o vento gélido que adentrava suas narinas, queimando como ácido à carne fresca.
Não havia para onde correr, até porque as pernas, não obedeciam os comandos, sem solo firme.
Morrendo de medo, e sem saber o que esperar, abriu os lábios, num choro doído, de quem de uma hora pra outra, vê seu mundo desabar.
Por que acidente aleatório teria vindo, participar sem vontade deste jogo cruel?
Brincadeira perigosa, de se equilibrar na vida, como alguém que caminha sobre a lâmina de uma faca.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Verdade instantânea


Não quero te ver de longe...
Rasgar os olhos, e despedir o passado, um dia.
Quero sorrir, e despejar meus olhos inteiros no teu contentamento.
Se for possível, por agora, pretendo molhar as vontades, em pranto sincero: não despedir, e ficar mais um pouquinho.
No conforto do abraço apertado, que não sai do meu corpo: tatuado feito vertigem, quando fecho os olhos.
Te quero perto...
À mínima distância do meu ‘bom dia’ audível.
E que não seja por agora certeza, como um dia foi difícil despedir os medos, e embarcar no duvidoso: simples receio.
Que não seja agora, o tempo, das verdades calculadas precisamente. Não sou boa de contas, você sabe.
Sei que agora, é o tempo da verdade instantânea. Aquela que não precisa de todo um percurso, para resumir um fenômeno. Aquela que se liga ao instante, e é subsistência para o sonho.
Ninguém liga, para o que seja futuro plausível, digno de papéis e espirais pomposos.A vida não é um livro, e o meu futuro perfeito pode ser simplesmente te ver amanhã.
Quem tem certeza? Você não tem. Nem eu. Só sei que vou morrer um dia. Não sei se pobre, rica, inteira, pela metade...Se com, ou sem você...A gente nunca sabe. Sei só, que se morrer AGORA, vai ser com você no peito. Essa certeza eu tenho!
Crédito meu na Imagem.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Olhos da morte


Olhos grandes, de íris escurecida. Podem arrastar tudo o que respira para seu interior sem fundo. E não há esforços, que sejam feitos para desviar o olhar, se ele me chama. Eu, feito presa hipnotizada, vejo a minha gula antropofágica aumentar. Minhas partes melodiosas descompondo, vomitando vermes das carnificinas, dos medos, das poesias. E os tais olhos, dentro dos meus, vão se agigantando, se prendendo ao que resta de esqueleto sólido, sob a pele fluida. Os olhos da morte em midríase, me carregam de dentro para fora: pelo avesso. Levando minha alma inteira, sem quebrá-la.
A minha alma, miúda no abismo convidativo da morte, sente-se voar, tendo como asas, as mortalhas, e como miragem, as palavras grafadas na testa como epitáfio.
E, como no primeiro instante de consciência, quando indefesa, percebi-me parte de um corpo frágil, senti a escuridão penetrar bem no âmago inflável, como o primeiro ar nos pulmões do recém-nascido.
Nasci para o lado de lá!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Auto-imolação?


Ai, vós, insetos, que voam para as chamas.
Não sabem que seu corpo, pequeno e frágil será consumido.
Sabem apenas,
em sua mente serena,
que as luzes indicam os caminhos.
Mas chamas, não são estrelas,
e palavras, tampouco:
não podem ser declaradas verdades absolutas, ou guias.
Estou eu, como inseto pairando tua chama fática.
Prestes a me precipitar, como mártir, ou tola.
---
PS: Olá. Estou devendo um texto sobre a morte para amanhã. Mas, como não sei se amanhã poderei postar, escrevi esse. O da morte ainda não está pronto, e este que vos deixo agora é mais imediato. Mas, amanhã farei o possivel para postar. Abraço a todos.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Tratado da inverossimilhança ou Medo do amor


De concretos, só os medos, porque os sentimentos não tem simetria bilateral. O medo tem. E tem dorso e ventre, e cabeça e cauda. Se faz intenso de todos os lados e pontiagudo. Em mim, e na face de lá do espelho.De lados trocados, acena para o que aspirava ser certeza, e insinua-se permissivo para a paz.

Sim, não há como prever as consequências da quebra em milhões de pedaços distintos, já que cada parte reflete quase a completude do objeto estático. Deprime os limites, e focaliza o indesejado. O medo quebrado, liberta-se de lá e vai habitar o vento. Ser uma verdade dispersa, e quase apalpável pelos olhos. No fim das contas, revela-se um sussurro escondido: um nome improvável escutado no silêncio duvidoso dalguma cortina refém de janelas.

Nos olhos, os reflexos obscuros materializam no inconsciente sensações quase reais. Reações aos estímulos fantasmagóricos e ludibriantes. O coração que acelera, as mãos que suam frio, o estômago que parece sumir... Há até quem confunda, quem se deixe levar, e baixe a guarda. Contra o amor, não há armas, ou defesas que mantenham-se.

Na verdade, é o medo imenso liberto que vem, aos poucos, calçar as certezas. Dele, há de se esperar atento as indicações precisas, e preparar-se psicologicamente para a surpresa que virá, por fim.

Canção de Vidro

Aquela canção de vidro rachou,
liberando meu timbre rouco
e nada pomposo,
feito essência
no tempo mudo.
E foi um alvoroço,
de cacos de vidro rachados,
e sons amplificados,
Macerando umas verdades novas
e, ruidosamente,
preenchendo os espaços do pensamento.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Diálogo intercalado por um 'Espírito'* narrador

-Morreu!
-De quê?
Parece que a pergunta foi sincera. Na verdade, a mulher tomou um susto.
-Tinha tanta vida dentro dela. Lembro-me que ela exalava poesia. Ria de encantar.
-Estava amuada, quieta. Parece que a essência dela morria aos poucos.
-Foi desgosto?
-Sabe que não sei...
A resposta parecia sincera. Quem reparava no insignificante?
Na verdade, ninguém ligava muito para a angustia alheia.
-Bem, ouvi dizer que o coração dela gritava silenciosamente o tempo todo.
-Era doença de dor?
-Parece que desistiu da vida antes da doença.
Mas ninguém sabia, que a doença dela era a vida.
Que a vida dela era uma angústia sem fim.
Aos poucos, ela foi cedendo, e se deixando transceder para o mundo dos sonhos.
Calada, ela, parecia amortecia pelas dores das cicatrizes do coração enfraquecido.(putrefando)
Mas a mente, intacta e fortalecida, era antítese abstrata do corpo que parecia definhar.
-Muito triste a morte dela.
Triste mesmo, era ela!

* Não acredito em espírito, pura e simplesmente, como uma entidade imaterial, dotada de capacidade de reconhecer-se (e ainda atravessar paredes) . Não acredito em espíritos. Acredito na matéria: na mente como uma expressão da matéria.
Mas, se você não acredita, porque usou-o no texto? Ahaa!!!
Usei-o, porque não há mente que subsista á morte. No caso, algo do interior consciente da garota, teria de explicar as partes implícitas do diálogo ( e eu não estou afirmando que seria alma ou espírito). O que era realmente verdade, e era desconhecido dos interlocutores. Vamos supor que este 'espírito' seja uma verdade subsistente, que exista, fundamentda em si mesma, e que possa falar nas entrelinhas, os aspectos desconhecidos do diálogo, através da voz de um narrador que não é material, nem imaterial, mas inexistente em quaisquer planos, só na consciencia que se foi.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Segredo para a 'felicidade'*:


Com o dedo, e munido apenas de vontade,
esburaque a parede, todos os dias de manhã, ao levantar.
Entregue-se ao ofício, até o momento em que o calor,
e a poeira, imperem na mente como alucinações.
Todos os dias, esburaque a parede com o dedo.
Parecerá árduo o trabalho, e ingrato: a parede é dura, e permanente, o dedo frágil e fraco.
Mas, aos poucos, as pequenas partículas do muro, se desfragmentam com o atrito,
e os primeiros sinais de solução surgem: um pequeno buraco, que logo cederá espaço para a passagem.
Acometido de tonturas, e delírio,
o trabalhador corajoso, mune-se de ímpeto e determinação.
Nessa hora, precipita-se buraco à fora,
e quase sem ar, percebe que o vácuo concedido, emana escuridão para todos os lados.


O segredo, é libertar-se.



PS:Cá dentro, da redoma secretada pelo superego acusador, o sonho parece ilusão da mente manipuladora. Há sonho, e há tédio, nos dias que se passam febris, e aterrorizantes. Fantasmas que se evocam das sombras, e dos cantos lembrados quase que por acaso, ou por instinto, Ruídos que lembram o farfalhar das crises passadas, e que rondam o presente de agouro e morte.
A parede, intransponível e imponente, parece a única saída, fechada. Mas, do grande perímetro cimentado de tristeza e proteção, um pequeno gesto, circular, de diâmetro ínfimo, aos poucos, e sem se importar com as horas que passam, desenha incansavelmente, uma saída.
Um buraco que possa ceder esperança de passagem. Um buraco do diâmetro exato da vontade de libertação.
Ao conseguir resultado, parece mais que aceitável, precipitar-se para fora de olhos abertos, absorvendo todos os mistérios desconhecidos até então.
Parece improvável, que ficar atormentado pelo silêncio e solidão da casca dura e imóvel seja a solução para os males. A verdade, é que há algo lá fora, incompreendido pelo inconsciente que o anseia.
Ao ver-se, levitado pelo desconhecido, é de praxe entregar-se ao medo de cair rapidamente, até o chão insondável e profundo. Mas, ao conhecedor da inércia, é dado o prazer de conhecer o outro lado. Não um além. Mas um além-do-muro, que nos era desconhecido.
Lá, a escuridão emana por todos os lados, ao inverso do mundo materialista que um dia, nos foi apresentado.
Se abrirmos a boca, todas as coisas nos absorverão, e seremos decretados parte do infinito cosmos, mergulhados na ocasionalidade de pertencer, fazer parte, ser o milionésimo átomo, elevado á potencia desconhecida, do último número a ser imaginado.
Aí, Não Ser, será uma boa resposta, para a questão mais velha e conhecida de todo ser humano. Pertencer.



*felicidade entre aspas simples, porque não creio nela como algo verdadeiro. Creio-a como um conceito disperso, alheio, e pouco eficiente, para um momento de contemplação e liberação de endorfina. Deveria chamar-se: ilusão do hipotálamo.
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