quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Poema Fúnebre/Monstro em baixo da cama


Poema Fúnebre


O poema que não escrevi hoje, me acusa.
Remexe dentro de um túmulo fechado, fazendo barulhos terríveis.
Eu, a culpada por sua quase-meia-vida pois não passou de intenção: mais nada.
Mas que intenção, não premeditada, pode ser acusadora,
se de mim, não passou de idéia equivocada?
Meu verso, que hoje cheirava a poeira e hipocrisia,me acusa:
Por não tê-lo deixado ressoar, e fugir do meu coração-túmulo-escuro...


Monstro em baixo da cama


Pela fresta da porta, um assobio gélido adentrava sua tranquilidade, e a fazia relembrar dos monstros que habitavam sua realidade ingênua.Sentia a cama tremer, e fechou num estrondo, os olhos como portas. Só a curiosidade era a chave.
Parece que a escuridão aumentava, na mesma proporção em que o peito assumia o controle do medo. Era o coração, que em taquicardia, acelerava invariavelmente, com as sombras que rondavam a realidade abstrata do sonho.
A garota, elevou o lençol até a cabeça, e tentou tapar os ouvidos para não escutar os passos dos monstros que passeavam pelo seu quarto escuro. Podia imaginar seus rostos cortados, embebidos em sangue, e sua sede sanguinária por sofrimento.
Resolveu espiar por uma brecha do lençol, o movimento dentro de seu quarto, e pode perceber que estava só. Nenhum espectro aterrorizante velava por seu sono improvisado. Em baixo da cama, apenas o monstro assustador do vazio a espreitava.



segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Solstício sinestésico de saudades e perdas.

A manhã despertou com todas as nostalgias acesas.
Céu cor-de-lua-cheia, feito leite do café amargo de 'bom dia',
reiterava desdém à rotineira prece.
Tudo em volta era quietude complacente,
e o som de vento-lobo, anunciava solitário,
o frio polar e branco, de vazio.
Os olhos fechados, elogiavam o nada,
e se escondiam da rutilância efervescente das verdades.
Pupilas dilatadas, engolindo realidades fervilhantes aos montes.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Poesia em seus lábios...


Pessoal...
Estréia no blog : 'Entre elas, um amado'
(eu, uma delas...)


Dueto com M.D. Amado.

Quem quiser ver é só clicar na imagem...


PS:Ainda há o texto abaixo para comentar hein.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Marionete (-S)


A sensação do ensaiado bem conhecido acervo de desculpas (esfarrapadas),
palavras pré programadas, auto-suficientes de significâncias,
começa a fazer sentido frente ao destino descabido,
Quando, a nudez (nada artística) irresponsável da linguagem constrange a realidade,
que se esconde, se enrubresce e cerra os olhos.
Aí, não há o que fazer, senão ceder, amolecer os membros...
E, fantoches em mãos perversas do desconhecido, acaso programado, escrito, arquitetado, imaginado, repetir tantas frases conhecidas.
"Se deixar" ventrilocar, manusear, boneco inerte: Fantoche-fantasia!
E não ter esperanças de humanidade , ou alguma comiseração com o texto esquecido, ou com as vontades abandonadas.
Ser-se brinquedo estático, é deixar-se atuar de fora pra dentro, não por precauções (seria bobagem!), mas por comodidade fática!

PS: Muito em breve, novidade...
'Poesias compartilhadas,
são pedaços de almas trocadas.
Duetos de vozes caladas,
e prenúncios de rima, que não precisam de conhecimento mútuo para acontecerem.
Um único amado entre elas,
e entre elas, uma ela franzina, com poética rouca e esparsa.'

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Conto Narrador-personagem na terceira pessoa [4] - Concreto demais...


Seria complicado viver num teto pendente sobre o nada, e sem fundações.

Quando tudo ameaçou ruir, ela resolveu ficar. Aí, as colunas se desprenderam, e as fundações foram ficando cada vez mais longe.

Ela flutuava sobre um nada apocalíptico, e nem sabia o que fazer com a sensação inexplicável de vento no estômago.

Talvez estivesse alto o suficiente, para poder pular. Chegar até as nuvens é bem difícil, ainda mais sem asas.

Com a realidade distante, reiterar degraus fica mais complicado ainda. Seriam amontoados de lembranças que de novo, a levariam ao chão, ou ao 'xis' da questão .

De lá de cima, ela só teria o ponto de vista do alto, lá em baixo, veria as causas do desespero. Mas ela poderia tentar de novo edificar as colunas. Ou então, cercar-se de um muro intransponível, à prova de balas, de luz, e de sentimentos. Sem frestas, brechas, portas e fechaduras.

Um todo compacto, bem rebocado, e com chapisco grosso, daqueles que machucam quem se encosta.

Talvez ainda, investisse em cercas elétricas, e barricadas.Ficaria lá dentro, imune a qualquer vontade (própria e alheia), já que não haveria saída de segurança.

Seria ela, só ela, e o silêncio.O coração reforçaria suas paredes de tecido morno com um tanto incontável de poemas pontudos.

Dali a um pouco, estaria tão calada, e imponente, que seria de fato, o próprio muro. Sua voz, um murmúrio de cantos tristonhos.

Olhos só para dentro. Cá fora, o esquecimento.




PS: Pessoal, estou meio sem tempo para postar. Rs...Logo logo, estarei de volta com textos melhores! até então.Mas não me abandonem!hsuahsuhsu...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Causa Mortis I

Há morte pior do que aquela que se morre de dentro pra fora?
Os tecidos por dentro putrefando, que nem carne exposta...
São as feridas abertas que infeccionam,
que lançam no sangue toxinas,
e do sangue para o corpo, e do corpo para a mente estarrecida.
A morte que se morre por dentro é agonizante,
ela vai destruindo aos poucos a vontade de vida,
e quando a gente vê, só tem vontade de ficar parado, estático feito defunto,
Coração parado, membros rijos, consciência apagada.
Cresce a devoção por túmulos, por facas, por escuridão.
Um condenado pode adiantar sua sentença.
Não há morte pior, do que aquela que se morre por dentro!
"Acostuma-te à lama que te espera..."(Augusto dos Anjos)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Barcos Alados


Tenho a impressão de que as ondas são levadas à praia
por barcos alados...



Sois guias cansados e mudos,
Barcos de papel, embebidos em verso...
Quão rápido fluis do sonho humano,
E na consciência depositas as manchas da tinta lacrada, isenta de idéias...

Vais longe, o máximo que podes,
Até se dissolver em pranto,
Na minha memória, no teu consolo...
Barco-guia depressa!!!

Ahhh,
Levai-me, levai-me inteira em teu mimo,
Fazei-me rima, para que eu vá contigo,
Para que eu também desmanche, e me torne mar...

Levai barquinho, levai...
Guia meu verso até meu amor,
Leva ao menos os resquícios do que digo agora...
Faze com que o canto das ondas,
Seja o meu canto, o meu pranto,
Audível até os ouvidos certos...

Barquinho meu, frágil
e virtuoso...
Não percorres grandes distâncias, como gostarias,
Entretanto vais mais longe que os pensamentos...
Levai-os protegidos em ti.
Vai depressa...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Estrela




Um ponto indistinguível para os míopes,
a estrela distante que brilha no céu escuro abstraído de nuvens.
Clama por socorro, por pena,
ou chama, silenciosamente, um que a atente e perceba a tragédia próxima
da sua luz que extinguirá
Mas, não há o que fazer, amiga estrela,
minha alma já não rutila,
a emprestaria talvez, para conforto do teu desespero,
mas cá eu também enfraqueço.
Aos poucos meu lampejo finda.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Segredos...

Não tenho como descrever a sensação que tenho de nudez...
De ver meus segredos serem ditos ruidosamente,
e lapidados por qualquer interpretação alheia...
Não posso mais recorrer a eles, quando tento fugir do mundo,
pois não são mais meus...
Foram arrancados à força, e em seu lugar, o espaço vazio fica, em carne viva...
Não gosto que saibam mais de mim, do que o pouco que conto, e mascaro,
em tons agudos e cores fantasia.
Quero mergulhar em meu mistério de volta, quando meus segredos, faziam do meu interior uma nascente de versos, e cantos.
Quero meus cantos invisíveis inteiramente rabiscados, com os nomes das paixões,
e os gritos de resistência.
Quero meu interior de volta, mergulhado em medo, protegido por muros altos, para guardar os segredos.
Mas, fui deixar os muros serem derrubados. Por consequência, os segredos foram surrupiados um a um .
Por isso, me sinto nua e com as perspectivas incompletas.
PS: Precisava urgente dizer isso, e se der, mais tarde posto o que pretendia: Um poeminha feliz...
Mas, como nao podemos adivinhar as coisas, o acaso vem me trazendo situações adversas, soterrando de vez, minha calmaria...
Quero meus segredos escondidos, caramba! Mas agora, eles são tidos como atrações de circo, e saem da 'lona' familiar, para a esfera mundial!
Saco...

domingo, 10 de janeiro de 2010

Consolo

EU não tenho nada a dizer hoje,
mas sei que tua dor é profunda.
Posso imaginar, daqui de longe, tuas lágrimas fumegantes a desfigurar-te a face,
e os teus planos, serem consumidos pela realidade cruel.
Eu poderia ter te dito que a morte é só um estágio, a salvação para a vida.
Já te disse um dia, que a vida é só uma interrupção no nada.
Que após a morte, seremos plenos, seremos energia.
Mas te disse um dia, e não hoje, que mais precisavas...
Eu calei, e e ouvi pelo telefone, teu choro, e tua voz cansada dizendo que a dor era grande.
Eu engoli a seco, todas as minhas certezas. Sabia que não te consolariam, que não te fariam parar de sofrer.
Aí, eu disse que sentia tanto, e que não tinha mais nada a dizer.
Desliguei o telefone, e meu discurso ficou ecoando. Eu, que vejo na morte uma saída, tive a impressão de estar equivocada.
Você estava triste, e talvez a tua mãe, ainda quisesse fazer tantas coisas.
Percebo, que além de tudo, da saudade, da dor (que passa), a morte traz incompletude. E isso, perdura para sempre.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Relatividade...

Em sentido inverso, minha vida descarrilha no horizonte trêmulo...
É vista linda, o futuro invertendo-se sobre si mesmo,
Como uma curva-tempo-espaço feita em velocidade da luz!!!
O passado desprende-se do agora,
E monta-se como regolito disperso na ocasionalidade do pensamento...
Pensamento –lembrança,
Qual filme de péssima qualidade e cheio de ruídos...
Faz-se verdade fossilizada do sentimento que fica,
E move-me para o que vem à frente...

Sem sentido, minha vida insere-se na rima,
Invertendo as considerações que fazia sobre os temas...
Se romance, se sobressalto, se bestialidade,
Solene é o meu tom de apostasia, e lugubridade...
Verdades invertidas pelo Acaso,
Ou Descaso das partes...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Aforismo I

"As coisas parecem bem menos complicadas quando a gente aceita as regras,sem ler os termos...Só clica aceito, entra com o corpo inteiro na situação,e depois fica impotente diante das situações adversas..."

sábado, 2 de janeiro de 2010

Condenado (-s)


O Condenado olha o caminho até sua morte próxima.

Aquele corredor imenso, parece o primeiro que percorreu para nascer.

Pensa, que a vida, é uma breve interrupção no curso do nada.

Era nada antes de vir ao 'mundo', e logo em breve, tornará a ser nada.

Por eternidades!

Talvez, fosse um consolo desnecessário, mas o sol apareceu logo que saiu pela porta, e brilhava intensamente.

Logo, ele seria parte da energia que flui, alimentando a vida.

Ficou aliviado, quando lembrou que após a morte, o tempo pararia de existir.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

O velho, e o novo... (sobre o amor...tema recorrente)

Em 2009 eu reencontrei o amor da minha vida. Senti aquele frio na barriga, quando viajamos na nossa roda-gigante imaginária. Fazíamos planos de futuro todas as noites.
Fui dormir muito tarde, muitas vezes, na companhia desse amor, que me enchia de esperança, e adoecia de uma saudade incauta, e profunda.
Tinha medo das noites que passavam rápido, e das horas que nunca paravam. Tinha raiva do meu céu, que escondia sua constelação,e sua estrela Shedir.
Não queríamos uma vaga apertada para dois, e sabíamos que teríamos uma vida inteira.
Mas se foi tudo, e eu só me lembro do teu pedido de desculpa, e do meu Adeus desmedido. Lembrei na hora, dos nossos olhares se encontrando na distância que aumentava, até você sumir na esquina, e minhas mãos cansarem o aceno. Mas este último fato não foi em 2009, e nesse tempo, ainda havia esperança. Depois foi definitivo.
Aí, no meu tempo de exílio, compus uns três poemas de "adeus", e bebi o absinto da tristeza consentida.Chorei um dia, depois, as lágrimas secaram, e restou um vazio no peito. O coração entregue ao perigo dos corações semi-preenchidos!
A mente, insistia em sonhar-te, e não desprender-se da tua lembrança, que ressucitava todo o tempo, entre as letras dos livros, e as melodias das canções. Ainda ouço Teatro Mágico. Foi uma contribuição tua. Só enquanto eu respirar...
Mas, o bom, é que há a conformação. E melhor ainda, há novas auroras!
Acordei um dia, e vi-me sozinha de fato. A vontade de você tinha dissipado.
Foi aí, que encontrei ele.
Eu já tinha fortalecido todos os muros, reforçado as redomas, e me trancado mais uma vez no mundo solitário da saudade, e da tristeza.
Não tinha espaço, para mais dor, para mais uma angústia. E tive medo. Sentia aquele olhar profundo me puxar, me arrastar para o fundo, e eu me agarrando em mim, em minha tristeza, para não me render.
Mas não teve jeito. Respirei a essência dele por completo, enchendo completamente os meus pulmões. Fui morrendo, para o medo que tinha, e me abrindo para a aventura que era conhecê-lo por dentro.
Quando vi, nem me lembrava daquelas tuas declarações que ficaram embaixo das mortalhas. Sentia o sorriso dele, morno como o sol da manhã, alegrar meus dias, com seus "Bom dias" perfumados, e com um novo gosto: o de presença.
Minha esperança renovada, e o coração com sua cicatriz sumindo.

Meu primeiro dia de 2010, amanheceu com saudade dele. E digo Adeus de vez a ti: Você anoiteceu com 2009.
Ocorreu um erro neste gadget