sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Para um novo rumo


Os Ultimos segundos que nos separa de um novo tempo escorrem na gigante ampulheta Terra... E pelo que parece, a Terra será das poucas a cumprir seu objetivo: uma volta completa ao redor do sol...
A maioria de nós ficou pra trás... 

"Desculpe estou um pouco atrasado, 
mas espero que ainda dê tempo, de dizer que andei errado,
 e eu entendo..."

Magoamos, fomos machucados, nos perdemos, fizemos boas e más escolhas, nos envolvemos...Criticamos, nos aborrecemos, chegamos atrasados tantas vezes, desistimos... Alguns simplesmente se foram, levando partes de nós.
Deixamos que algumas metas perecessem no caminho. Não por falta de tempo, mas por falta de coragem. Adiamos planos, esquecemos sonhos. O marcador, descansando na página do livro na estante. A leitura cessada, a mente perdida no tempo, os olhos fixados no relógio a todo instante.

"Que vantagem tem quem acelera,
quem antes dos passos, faz honras de presença,
e se perde na vontade do futuro, e só?
Abre caminho beirando tempo,mas se ilude apenas,
já que a marcação dos segundos não pára pra dormir."


Mas, inúmeros também, foram os feitos! As conquistas, os sorrisos...Os pequenos momentos que se tornaram lembrança! As poesias que marcaram as páginas dos cadernos, ou os pensamentos, sem nunca terem sido pronunciadas. Todos Aquelas pessoas especiais que vieram, e se instalaram no coração, intencionando moradia eterna. Os epitáfios escritos toda noite, e as quase mortes superadas a todo instante!

Vislumbro, assim, em silêncio, os primeiros vestígios de 2011. Neste momento, a saudade banha os sentimentos, trazendo um pouco de angústia: tanto que ficou pra trás... As certezas mostraram-se, ora absolutas, ora momentâneas, as vontades modificaram-se exponencialmente. Talvez sinta falta de tudo que me fez chorar, e me meta mais ainda no mundo de silêncio e solidão, que criei com muros imensos!

"... o destino, sempre me quis só..."

O que sei, que um pouco mais velha, um pouco mais sábia, e muito mais silenciosa, Encerro o ano. Foi um longo caminho, e a Terra fez o favor de me conduzir por todos estes Quilômetros. Uns trapinhos aqui, outros ali, vou levando de 2010. Entretanto, uma grande bagagem de memória, e lágrimas, e lembranças, de noites não dormidas, de poesias (estão ocupando o lugar dos desejos...). Os mais importantes estão no coração: protegidos de qualquer noção de falência...


A todos que também embarcarão nessa nova aventura de completar a elipse: Fiquem bem grudados ao chão!
Espero que estejam preparados para as surpresas guardadas nos caminhos e no tempo. Encarem cada decisão como se fosse a última, e tenham responsabilidade com os sentimentos alheios! Não temam as bifurcações.
Aos que vão perto de mim: preparem-se! Tenham paciência, e não enjoem da minha cara. 

Assim mesmo,de antemão, peço desculpas pelo que falarei (às vezes penso com a língua, e falo com o ímpeto...), não zanguem com minahs atitudes coléricas, esqueçam se eu esquecer demais e se eu ficar muito triste dê-me descanso e só! As praias estarão bem quentes, então, abusem do protetor solar. Eu abusarei dos versos e palavras:quem quiser, pode ler nos olhares: eles simplesmente falam muito mais do que consiga com as palavras!
Como já ia dizendo, não enjoem da minha cara: a seguinte estação,só daqui ao próximo revelión!

Com toda a nostalgia que possa causar, e sem criar grandes expectativas, para poupar frustrações futuras: Que Venha 2011!
Senhores passageiros, aterrisagem para conexão: Vôo 2011 00:00...


"...Mas como o vento vem tão depressa,
a verdade é bem mais forte!
Vou deixar que o destino mostre a direção..."

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Aos perdedores


Quando tudo está pra dar errado,
o destino avisa,
é pragmático.
Retira com força todos os resquícios de esperança,
Faz com que todas as coisas tornem-se falidas,
e o ser acometido pela má-sorte,
Esse que caia em desespero.
Aí, já não adianta chorar,
ou arrepiar-se com os presságios.

Urubus, aos quatro-ventos,
anunciam o azar:
escolhem suas vítimas, como algozes,
e doam-lhes o infortúnio,
batizando-as com excremento:

"Ah, fracassados,
acostumai-vos à lama que vos espera,
cubrí-vos do pó dos vossos próprios infortúnios.
Sangrai os pulsos, se ainda tiveis dignidade!"

Como epitáfio,
uma cusparada dos Vencedores!



(pelo menos, achei a imagem que se encaixou perfeitamente ao texto)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Past




Me deparo com o passado, quando olho para o céu mudo. 
Os meus olhos tornam-se o espelho,
em que se miram as galáxias passadas...
Nada de novo, como imagino,
ou imediato.
Só a velha luz que perpassa os tempos,
a luz das estrelas que morreram sem mortalhas, e Epitáfio...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Desjuvenescência


Na falta de um futuro que me caiba por completo,
Intero os dias, vivendo um presente desgarrado da realidade que aspiro.
Permuto com o tempo, partes que me completariam,
fossem dalgum modo encaixáveis,
e lhe oferto O meu tempo, o que resta.
E cada dia mais velha,
a velha pessoa que sou, torna-se mais marcada e vivificada,
mesmo que um tanto mais morta a cada segundo.
Mas, não ligo para o tempo que me amola aos poucos,
nem para meus versos cada dia mais cruéis,
nem para os inescrupulosos sentimentos que já nem doem tanto no coração calejado dos tantos anos que não tenho.
Envelheço ao ponto que a juventude se aprimora. Vejo nos dias, os resquícios das nostalgias remoídas,
e as precoces cãs resultadas da teimosia de reviver os passados constantemente, e sofrer por antecipação.
E já nem choro, nem temo. Prometo as promessas ditadas pelas circunstâncias, e esqueço-as ao passo que não as cumpro. Vejo os caminhos, e não exito em fechar os olhos.
Agora, o que percebo, é que os horizontes não são apalpáveis: Sempre vou estar entre o ponto de partida, e um destino intermediário. Não chegarei ao fim, antes que o meu próprio venha.
Mesmo que não valha mais a pena, desejo que os versos fiquem. Corroídos como a bagagem esquecida, carcomidos pelas traças cotidianas. Sem rimas, ou prosa que animem os sonetos. Mas que fiquem, como a puidez dos olhos dos velhos. As pupilas quase apagadas brilhando com a luz da sabedoria adquirida.
Ah, como a juventude me cansa! Não preciso de força, mas de solidão.




quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Cinza

Em busca de um mundo em que caibam todos os meus complexos, aliados às teorias subjascentes à epiderme colada ao crânio. Se houvesse, seria sem proporções, e avaliado como um espaço ilimitado, e não fechado, nutrindo-se de toda forma de entropia, desestabilizando o equilíbrio dinâmico das partículas.
E se coubesse, a mim e ao meu coração, num mesmo ponto de um multiverso poético, literariamente construído para expor na superfície, as vertentes do pensamento organísmico 'tolo', seria mais fácil abrir os olhos à áspera realidade.
Permaneço, pois, na tendência metafísica, de encontrar uma clássica mecânica que preencha os dias. Mecanicisticamente definida, por idéias alheias, mas em essência, desconhecida.
Um mistério denso, como as nuvens em tendência de chuva, cinza, preponderante em inquietações caóticas, como a vida.


---X---X---X---
PS:

1-Cinza, como a definição do amigo FRGB.
2-Perdão aos que comentaram o post anterior,e ainda não respondi...é a falta de tempo...

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Inutilidade

"Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco."
(Carlos Drummond de Andrade)


  Começando do entorno sem precedentes, como quem parte do nada, para o interior do sistema fechado. O coração, bomba de quatro paredes, já sem sangue, parece menos desprezível, do que o era, sofrendo palpitaçães bestas.
  Já era o mundo, com suas cores claras, e os corações desenhados a tinta de caneta rosa, nos cadernos de folhas com molduras de florzinhas. Os poemas em cantos de páginas, já não são elegias aos rapazes bonitos, de sorrisos encantadores.
  Na verdade, nem um verso seco se molda de romance. O amor mostrou-se inútil, como estratégia evolutiva para diversificação genética, e propagação efetiva de genes. A mesma maquinaria cega, que também leva adiante as instruções nos outros 'inconscientes', ou 'não-humanos', perde-se conscientemente e completamente.
  Agora então, energia condensada, matéria em forma de vida, descompassada, repleta de uma sombra junguiana macabra. Vazio do que seria o romantismo bobo, e sobrando uns versos reumáticos insosos, apregoando as dores, como escravos os pregões de cocadas.
  Sem as feridas, metaforicamente desenhadas na carne-viva, a dor não consegue dilacerar os tecidos saudáveis.
  E o amor, que seja inteiro, ou forte, não desvia-se de si, para uma escolha ou opção. É indissociável da vontade, mas obedece apenas a si, e pronto. Vontade que testifique os erros.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

ß-endorfina

  Não sobra muito espaço na lembrança. O córtex cerebral se enche, de uma forma estupidamente misteriosa, de sinais nervosos que marcam os acontecimentos. Neurônios não se dividem por mitose, tão facilmente, e o espaço físico do cérebro permanece inalterado desde a evolução em Homo sapiens. Então, cada dia, um pedaço do que era fato, se desfragmenta, sobrando muito espaço para as coisas corriqueiras que permeiam os dias. Nem se passou tanto tempo, mas a nostalgia não dói mais, como antes.
  Hoje, a distância não é um obstáculo. Ela se tornou muito mais algo abstrato, de conceituação expressamente poética, sem comprovações dignas de teorização. Não é o fato que me tirava o sono, nem o objeto do meu pensamento constante.
  Agora, que o destino me provou não ser muito mais que um nome na placa de um ônibus, tenho certeza que posso me valer das distâncias. Posso sê-las, ao passo que me desloco num espaço físico real. Num dado momento, a uma velocidade desconhecida, posso ultrapassar as vontades dos futuros, e escolher pra onde ir.
  Isso, enquanto sou o que teoriza.
  Na realidade, vejo-me presa ao passado que escorre, cada dia mais vacilante. E em mim, a matéria bruta, que se rimava amor, permanece, como algo disforme, ainda ocupando um espaço imenso (no peito).
  Nada mais é, como deveria ser, já que o pleno espaço continua obstruido. Sem passagem, ou local de porto, o que aparece, se esvai, assim repentino como veio. Nenhum novo amor, encontra estadia prolongada.
  Não sobra muito espaço na lembrança, nem no peito. Sobra é espaço na consciência vaga, para o cotidiano mole, mas, estrategicamente, as lembranças se amontoam na parte da mente menos usada. Não são resgatadas, senão a muito custo, mas quem quer gastar energia?
  Desfragmentado, o passado não passa de restos de neurotransmissores descartados, estáticos nalgum canto inacessível. E eu, passo mais tempo a imaginar o paradeiro das sensações, que foram lançadas nesse universo, junto a diversas rimas frágeis. Estão perdidas, como em mim, o sentimento que passou.
  Estou repleta dos dias.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Desordem

Morna e Solitária, a vida segue, assim, com seus dias exaustos e cautelosos.
Nenhum perigo que ronde os minutos, é maior que a sede eminente por adrenalina, acetilcolina, serotonina, desapego...
E o que resta, é o tempo restante, resultado remodelado dos remorsos redundantes.
Mas calma, é veneno. Em doses homeopáticas, entorpecente.
Dificudade visível por vocalizações que transmitam o tato, ou as sensações bioquímicas, hormonais, anormais dos sentidos em transe.
Os cromossomos em ordem, determinando tudo, de síntese, a meiose, ou tantas outras coisas que nem passam pela mente.
Sei, que de fadadas desculpas, forjadas por dardos moles, a sentenciosa vida se enche.
Com os segundos a coser peitos arrebentados,
temperar os corações desalmados,
enfraquecer os mediastinos dos poetas,
flamejar gritos aos revolucionários,
e prover inventários aos incautos.
Lá fora,
a mesma vida besta,
sem as janelas, e pernas,
com apenas uns poros, a absorver os universos, com avidez de carnívoro.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Desventura

Aos desfavorecidos de sorte,
as probabilidades mais perversas.
Sobra somente, o espaço vazio entre os relacionamentos esparços,
e as derrotas frias dilaceradas pelos troféus dos campeões.
O consciente amedrontado pela falta de êxito.
Fracassados tem vida curta,
tem seus cromossomos despedaçados,
e a vantagem de apenas permanecer de pé, para terem uma queda mais mortal.
Não tem esperança no porvir,
e não sabem o que vieram fazer no mundo.
Apenas servir de contraste aos vitoriosos e adaptados,
os que possuem, por conta da aleatóriedade,
algo que os torne capazes de serem Mais.
São vencidos pelos fortes,
são pisados pelos mais altos,
ou os que possuem os privilégios.
Constantes escravos dos que se dizem donos do poder,
ou dos que apenas tem sorte.
Aos fadados ao fracasso, resta o consolo da solidão.
Solitários, vivem da falta que sentem,
do choro que nutre os desapegos,
e da visão emblemática, de quem sonha logros futuros.
Silêncio, companhia única,
solidão que grujeia cada segundo,
mortificando a carne, os olhos,
abrindo as feridas...

Há de se bramir o troféu dos tolos,
com toda a serenidade de um ser triste.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Despedida(S) - II


Não sei até onde as despedidas são necessárias. Às vezes, há uma necessidade inexplicável por despedir-nos. Talvez, nesses momentos de angústia, inconscientemente tenhamos certeza de que dali a diante, nos tornaremos um novo ser.
Fechamos os olhos, e os abrimos possuindo longas asas. Nos livramos de um exoesqueleto enrigecido, e encaramos o mundo com a musculatura mole e desprotegida.
Despedimo-nos de nós mesmos, e das lágrimas que passam a habitar o dia anterior, assim que amanhece. E cada dia, somos os que dormiram, e sonharam. A cada novo instante, somos os que viram, e os que pensaram. Os que aprenderam, e os que esqueceram.
Seremos sempre um pouco mais do que ontem, do que antes, e logo, muito mais do que agora.
Gostaria de saber por que despedidas são tão necessárias. Como a cada instante que a vida se mostra repentinamente mudada. Quando o destino apresenta uma curva, e o lá fora parece tão perto.
Os caminhos mostram-se em constante construção, e temos consciência de que não sabemos seu rumo, e seu fim. Sabemos apenas que nossos pés anseiam por percorrê-los.
E o horizonte que nos vê de frente, a cada dia, nos vê como outros.
Despedimo-nos dos outros, a cada boa noite, e para sempre. A cada novo dia, mais horas adicionadas à vida. Seremos sempre os que experimentaram, ou os que temeram; os que arriscaram, ou os que retrocederam.
Por isso, aqui me despeço.
Não como quem vai para longe, ou como quem vai se ausentar por longo tempo (mesmo que isso me pareça uma metáfora apropriada). Despeço-me como quem deixará de existir.
Amanhã, já não serei o que sou hoje, mas uma outra coisa ainda sem nome, e que talvez, nunca o terá.
E despeço-me, pois dali a um instante, já vós, meus leitores, serão outros, tão diferentes quanto foram ontem, ou antes, ou o são agora.
E enfim, as velhas coisas que se acostumem à antiga cara, de nova dona!

"E assim, chegar e partir..." (M. Nascimento / F. Brant)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Saudades IV

"Hoje eu acordei com medo mas não chorei nem reclamei abrigo, do escuro eu via um infinito sem presente, passado ou futuro." (Cazuza/Frejat)

Agora, me falta tanto, que meu interior respinga o vazio que me acomete. Vejo tanto vazio, e tanto arrependimento. Tanta solidão que me faz rachar.
Falta tanto carinho, tanto amor, tanto consolo...
Minhas paredes se agigantam, meus olhos escurecem, e sou eu que recuo, diminuindo dentro do corpo que agiganta.
E agora, sou muito mais do que eu tenho para preencher. E escorro pelas pernas, e me vejo de fora, de longe, perdida.
Me sobra tanta falta, tanto espaço. Sobra um corpo frio sem abraço. Um olhar perdido, sem porto, sem dono, sem motivos.
Sobra o choro contido, e a vontade imensa de correr para um abraço apertado que me preenchesse por fora, e um olhar compassivo, que me preenchesse por dentro.
E, emudeço em respeito ao silêncio que me acompanha.
Talvez, o arrumar as malas e partir, tenha sido uma bobagem.


PS:

Não parece sensato fazer poesia quando se está triste. Estes meus últimos posts tem me parecido tão desagradáveis, mas, eu não sei o que escrever, senão o que ando sentindo.
Talvez se eu fosse mais imparcial, e poetizasse pare os outros, isso tudo aqui seria bem mais agradável.


"Mas quem é que nunca se sentiu assim, procurando um caminho pra seguir, uma direção - respostas..."



domingo, 15 de agosto de 2010

Ephemeral Beauty


A flor que murcha, não perde o encanto, pois ainda é flor.
Mais linda ainda, pois a tendência da morte que se aproxima, torna-a tão sublime,
como as almas que voam para o paraíso.
Sua beleza, se confunde com a vitalidade das flores que brotam coloridas.
Amo a flor murcha, pois se despede,
e se despedir é um ato de coragem.
Amo a flor murcha, porque me mostra que cá, eu também murcho aos poucos.
Todos nós.


Imagem retirada do Getty Images

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Um verso sem começo, para um fim idealizado

No espaço em branco, o sussurro das palavras reverbera.

E chega a confundir-se com a realidade externa,

A minha realidade intrínseca, que veementemente espera

Passar a inquietude dos dias eternos.




PS: Prometo que essa fase melancólica vai acabar. rsrsrs...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Para ela, e prara mim...

A P.C.

Não existe moça triste, triste moça,
Tua beleza te faz solene,
Mas não existe beleza triste,
Só a triste beleza da tua solidão.
Os teus lábios calam os cânticos,
E a áurea preocupada vasculha no presente uma indicação.
O coração sempre alheio às certezas, impera vagaroso a condescendência de vida.
Tua triste beleza moça, denota solidão,
Solidão de moça triste: de poemas solitários e juventude rouca.
Mas que solidão é mais triste que a da triste moça?
De existência solitária e reclusão da alma?
Tuas algemas rebrilham como pulseiras em meio ao caos.
Brilho oco, de metal polido, refletindo as luzes incidentes das estrelas que mimam teu teto alvo.
Solidão é triste, moça, a tua!
Tua beleza triste, tuas lágrimas solitárias, tua juventude escorrendo como tempo em ampulhetas mágicas
Não existe moça triste, mas, em ti, toda tristeza se pinta com a beleza dos poemas antigos.

domingo, 1 de agosto de 2010

Envelhescência


Da pele, brotam sulcos fundos, recheados com todas as angústias de uma vida.
(as angústias marcam mais...as felicidades são aprisionadas em retratos...)
A vida, cansada, suspira, por tão longos anos que se ajuntam.
E os anos, rebrilham nas pupilas amarrotadas, vertendo como brilho de estrelas raras, a sabedoria adquirida.
( a sabedoria, que segundo o Márquez, só vem quando não mais é necessária)
A sabedoria, faz-se inata, brota da garganta quase muda, enaltecendo a ser que agora é.
Ser agora, é algo tão comum, que nem se percebe a essência evaporando pelos poros, indo compor os ventos, e alimentar as chamas.
Aos poucos, os ventos levam tudo, e a alma pode se desprender da matéria envelhecida.
Já se vai a vida, como um pó soprado para longe, disperso. Já se vão os amores, e até mesmo as dores.
Os velhos temem apenas, o sono!


---X---X---X---X---

Não transpareço a idade que tenho,
e ainda assim, me resta dizer,
aos que me chamam de criança,
que deveria ter muito mais de anos, do que a minha idade.
Minha velhice, espanta a curiosidade.
Talvez, seja mais precoce do que imagino.
Minhas rugas enfraquecem as vistas, e me enchem de uma poesia quase unicamente de túnel.
Aos netos, que não verei, pois não existirão (ao menos agora, que meu presente caminha para o futuro, com perspectivas de solidão),
deixo o legado desse gene precoce,
de degenerado poeta descompassado.
É, só tenho estes olhos pelo avesso,
com que vejo a vida em tons de sépia, e pastéis: ótica pós-efeito, a ilusória.
Triste? Talvez.
Cansada das outras vidas que não tive, mas que vivi em sonho.
Eu acho.

---X---X---X---

Imagem: Getty images

terça-feira, 27 de julho de 2010

Florbelismo Kafkaniano...

Ah, meu amor, remeto-te de longe o beijo que me cala inteiramente por dentro.
Pretendo livrar-me do sabor amargo do Anseio que não me deixa...
Desejo despir-me plenamente da tua lembrança, que assombra minhas noites de sono,
e rouba a calmaria dos sonhos tranquilos.

Um beijo, amor, sinta-o no vento.
Deguste-o com o prazer com que tomarias vinhos caros, se os tivesse ao alcance, e em taças bonitas.
Devore-o, com a mesma intensidade de quando a fome apetece o estômago de manjares.

"E nesse beijo, amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!"

Remeto-te amor, os versos insanos da saudade.
Os que como adagas maceram o peito, esmigalhando as certezas e vontades,
e me mantém cativa de um sentimento cruel.
Adoraria desvencilhar-me da dor malcurada que me preenche desta nostalgia  ingrata.

Um verso, amor, ouça-o no vento.
Ausculte-o com a curiosidade com que saltarias do abismo, para exibir as asas ao desconhecido, e voar!
Aceite-o, com a mesma benevolência apresentada por um soldado condecorado.

"Posso ouvir o Vento passar,
assistir a onda bater,
mas o estrago que faz, a vida é curta pra ver..."

E a vida, percorre os segundos, se valendo deles, como garantias de eternidade.
Mas sei, sei, que o tempo passa para a matéria que se desintegra,
a cada instante de desespero.

Sobra muito medo, que corrói os neurônios, com a mesma velocidade inoportuna
com que as ondas atingem a areia.
No vaivém sem fim dos átomos, e da energia infinda do universo,
minhas idéias se desfazem, e se reconstróem...

Meus sentidos, informes, não fazem falta,
tanto quanto os versos que te dediquei um dia.
Nem o beijo que te dedico, como mortalha de um sentimento morto.

Um beijo, amor,
Um beijo, e um verso...

"Os beijos por escrito não chegam a seu destino. 
Bebem-nos pelo caminho os fantasmas."

 
 
 
 Citações: Florbela Espanca, Los Hermanos, Franz Kafka, respectivamente. 
Crédito da imagem : Getty Images


segunda-feira, 19 de julho de 2010

Miedo

Às vezes, o medo remoto como o que emergia das crenças ingênuas, vem assombrar um presente vacilante com suas sombras amedrontadoras. O ser, que encoberto até o rosto tentava não olhar, apercebe-se instigado, o coração acelerado temendo os mostros imaginários que adormeceram embaixo da cama.
Mas não em pouco tempo, vê-se rodeado por silêncio, mudo, esparso, imerso numa escuridão confortável, das que embalam os sonhos. Os obstáculos é que criam vida. Emergem do espelho como expressões ensaiadas, tantas vezes desfiladas pelas ruas como máscaras.
O desconforto é visível. Pudera, o coração marcado profundamente, convalesce, e funciona com as dores projetadas em carne-viva. Dilacerada, a poética recompõe-se aos poucos emitindo versos fracos, elevados com uma brandura quase infantil.
Mas é medo que invade. Que vem com sons de pedra, afundando perigosamente, levando junto uma consciência desvalida. O peito, como carapaça afiada, se protege como pode, já que de dentro,  o coração é quem sofre as dores lacinantes das perfurações à pouco ocorridas.
Só, que o tempo não é tão previsível como as ilusões de relógio. Não escorre milimetricamente como cantam os ponteiros, no seu tic-tac infindo. Parece eterno, e inversamente proporcional a qualquer tipo, mesmo que inconsciente, de vontade.
E nos faz perder nas histórias que se contam, e nas situações que nos encalçam, passo a passo. E o coração,ainda dolorido, sonha as cicatrizes das chagas ainda abertas. Sente-se embalsamado, por qualquer melodia que venha acalentar o desespero, e permanece irrequieto, na vontade de sentir.
Teimosia errante, vontade inconseqüente de sentir, mais uma vez, a intensidade prolongada do poema que nasce rapidamente. Emerge dos escombros do que assemelhava-se a castelo. Mas como árvore franzina, plântula enraizada, emitindo folhas verdes, dotadas de cheiro de alento.
Não adianta, reforçar as defesas, bloquear-se com desvios. Torna-se insuportável a ânsia convulsa de arrebentar as correntes, desfrear a língua, e emitir-se como vento. Pintar de leve as paredes, encher-se de claridade colorida, abrir os olhos mesmo que por um instante, esquecer-se que os monstros não existem fora das pupilas.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Das verdades que o corpo esconde


É mais um daqueles dias que transcorrem vazios. Com a calma dos dias sem direção.
Escorre lentamente pela janela apressada do ônibus, refletindo-se nas caras cansadas dos seres estáticos que pedem ponto.
Mais um daqueles dias, em que os medos súbitos amarrotam a consciência. Quando a música dos fones adentram o cérebro, fazendo calar qualquer pensamento, e ainda, amortecendo os sons da rua, que zumbem sem sentido.
A morte, parece esperar na esquina qualquer deslize que venha custar um pouco de sangue. E a vida, pulsa nos pulsos saudáveis, com a melancolia desnecessária dos moribundos de alma.
E sem as esperanças válidas, só resta o caminho de casa. As mesmas quatro paredes insuportavelmente brancas, perfeitas para o desenrolar das lembranças que atormentam como espectros fantasmagóricos.
O silêncio, a calma que desespera, o medo solitário e quieto.
É mais um daqueles dias que transcorrem vazios. Vejo a tela refletir uma parte de mim, que o espelho esconde. Não só o espelho, mas todo o corpo com sua linguagem descabida, os olhos, os lábios... Não sei até onde o medo emite braços, como os de um polvo, agarrando toda a realidade com a mágica mecânica clássica, não soltando mais os fatos que repousam em suas mãos enrigecidas.
O que sobra, de fato exposto, anoitece junto com o dia que se esvai.
Repousa sob a lua, o sol do dia, e sob as pálpebras cansadas, os sonhos tristes como sempre...




PS:
[A felicidade, aporta, como barco sem tempo, que só abastece, e se vai em busca do mar]
[Ancorado no porto, é só vislumbre, pois foi feito para o mar bravio e suas ondas.]
[Eu, como porto de precipício, ofereço estadia, apenas...]
[Permanência, só para os que são mar profundo.]

terça-feira, 6 de julho de 2010

Triste.

E daí que meus versos são tristes?
Nascem das profundezas obscuras do meu eu escondido. Descamam das dores insuportáveis que acometem o peito.
São pedaços das doenças interiores, produtos da tristeza,
oriundos da solidão.
Já que cá, eu, sou um todo de melancolia andante,
sublimando a cada dia,
segurando as lágrimas que me rondam.
E daí que eu seja triste?
Não tenho motivos de canto, nem alegrias que perpassem o peito,
e saltem para fora.
Sou mais riso costurado em máscara pintada.
Escuridão tão profunda que não consigo enxergar o que faz parte de mim.
E levo a vida, com o peso da dor, ateado às costas.
Talvez, o anseio pela morte não seja justificável.
E daí que eu seja triste?

domingo, 4 de julho de 2010

Bananas, tomate, chocolate, Vinho e Você

à L.C.

É você quem me faz sorrir, quando eu busco uma centelha de esperança,
ou alguma graça que valha,
na vida,
a pena que gasto com tantos poemas.
É em você que me perco,
dividindo todos os dias o abraço que me segura,
quando as pernas querem bambear,
desmoronando com vida e tudo até o chão.
Sorrio teu riso com gosto,
porque tem gosto de canção, e me preenche por completo,
inteiramente por dentro,
sem deixar espaços para as lamentações cotidianas.
E gosto,
porque não preciso munir-me de máscaras, ou enjaular-me numa capa obscura de hipocrisias.
Deixo meus olhos à mostra, verbalizando a cada segundo, como língua descontrolada, vertendo todos os segredos de dentro, e que te dôo, sem medos.
Liberto-me, e canto, e deixo exalar a poesia tão cotidiana que tanto anseio: a que vivo, sem receios, a que me faz sentir empiricamente cada palavra não dita.
Canto teu canto de encanto doce.
Ouço tuas sílabas incorporando-as ...
Desenhando-as na minha mente, uma a uma, como tatuagens dos dias que transcorrem apressadamente.
Amizade para sempre,
amor que não se acaba(rá) nunca!
PS: Obrigada pela Serotonina.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Pequeno Léxico de Incompreensões Pessoais I - Efemeridade


E não há nada que subsista ao tempo, ou que se prolongue um pouco mais
que o tempo de paciência do tempo.
Tudo se esvai,
mesmo que lentamente,
até o ponto de ter deixado vazia qualquer expectativa.
Mas não reclamo, não. Que meu corpo se finde antes que eu possa entender o significado de Eternidade.
Ou, que meu pensamento se vá com a juventude,
e reste apenas a comodidade da velhice.
Minha transitoriedade é dádiva, creio,
já que nem as rútilas estrelas perpassam o tempo infinitamente.
E o amor, este é mais efêmero ainda,
presenteado com a inconstância exacerbada.
Finito, como tudo o que existe,
parece deveras eficiente na fácil tarefa de encarecer existências,
e ainda tornar sublimes os fatos ásperos da realidade esculpida.
E lá, do seu plano abstrato de idéias ilusórias, se despede como quem foge.
O corpo morre, e ele fica,
infinito em ocorrência, volúvel em permanência.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Saudades III

Vento, som que ecoa pelo vazio. Vento frio, que amortece os tecidos.
Solidão aguada, como caverna escura úmida. Profusão de eternidade silenciosa e cega.
Eu, caverna imensa, e ventilada. Ouvindo ecoar o silêncio, e as músicas que se tecem na memória.
Limitada por quatro paredes brancas, mais nada. De todos os lados, vertem sobre mim, os cantos livres de aconchegos.De olhos fechados, as ilusões parecem criar corpo, e me tocar...
Na memória, reacendem-se as lembranças de um passado não tão remoto, mas que causa saudade.


"Arrumei minha mala, de volta pra casa. E não posso mensurar a ansiedade que tenho para chegar. Me aninhar no ventre de casa, no meu quarto aconchegante, com teto virado pro céu. E devanear, esconder na escrivaninha todos os meus versos contidos na ânsia de tentar ser. Lá onde o celular tira férias, e se desprende da bateria, e onde eu tiro férias do mundo daqui de fora.
Lá, onde o mundo chega até mim, apenas como ruídos, e as verdades se mascaram sob o som do ventilador de teto incessante. Lá, onde a nostalgia impera, longe dos lápis de olho borrados, e cabelos penteados. Lá onde o amor, ressoa em modinhas de violão, reticentes e impiedosas, amortecendo as tristezas, e a solidão. Lá, onde o silencio é matéria prima de criação, e o escuro da noite, se transforma em sonho. Nem sempre bons, e aconchegantes. Ás vezes as noites são vazias, e percorrem rapidamente as horas, tornando-se dia, mais cedo.
E, logo será hora, de proteger-me na redoma inventada, e programada para conter meu sopro de liberdade. Já tenho saudade das limitações de impacto, causada pelas paredes de cimento frio.
Lá, onde minhas vontades são pecados, e minhas atitudes deploráveis. Lá, onde os pesadelos tem pena de mim, e me deixam solitária às noites. Lá, onde as lembranças são companheiras da existência injustificada.
Saudades de casa, meu exílio particular."

Não é mensurável a Vontade inquietante de voltar.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Ando tão à flor da pele, "Às vezes"...


Não sei por que cargas d'água, toda vez que tento iniciar um trecho, o tão fadado advérbio de TEMPO: "Às vezes" me acomete, preenchendo todo o espaço, como se Se bastasse por si mesmo.
Nessa hora, o relógio pára, os ponteiros descansam do trabalho eterno de personalizar os segundos que morrem: pequeno espaço de tempo.
O gosto de sangue, preenche o branco do documento, com um gosto amargo, fazendo incidir sobre mim, o vazio enfadonho da tela. O texto em branco me acomete,
e o meu tempo, preenche o espaço do documento em branco. Sangue, muito sangue das minhas horas, que escorre sem proveito, indo manchar o que seria poesia.
Depois, a depender do momento, um ponto, uma vírgula, reticências infindas vão modificar a precisão da expressão,
talvez fazendo ecoar em mim alguma certeza desmerecida,
ou aumentando a solidão do branco.
Nessa troca, sem retorno, me agiganto em solidão clara, apagando os versos doloridos,
que talvez fossem o indicativo de alguma vida que valesse a pena.
Marés, e marés de pensamentos que se escondem no cansaço,
ou no costume de ouvir músicas que me ditem o que sinto,
sem que eu precise processar as informações.
Às vezes, só às vezes, o "Às vezes" torna-se impreciso. Parece dizer mentiras sobre o tempo do meu relógio psicótico,
e minha eternidade ínfima, parece padecer no fracasso da vida que prossegue sem se deparar com a transicionalidade.
Parece que "Às vezes" engana o peito. Mascara o que se indicia como "Sempre", iludindo-me que sou fragmentos de tempos esparsos!
Mas sou fragmentos de mim, que se eternizam nos pontos de "Às vezes", quando as excessões podem ocorrer normalmente, como fases reais de qualquer coisa que seja paradigma estancado!

Não sei por quê faz todo o sentido escrever um texto com duas palavras e um ponto. Faz todo o sentido que preciso, "Às vezes".


"...Meu Desejo se confunde com a Vontade de não ser..."

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Verso sem tema...


Um verso, beira a vida transicional de poesia escrita.
Deseja desprender-se da eternidade do pensamento remetido ao acaso e para longe,
e desenhar-se, limitando-se a espaços em branco, e compreensões mínimas...
Fortalece-se na loucura que se forma, sob as asas da poética que necessita de vôo,
mas não encontra céu que a liberte da escuridão quase completa,
do ser trancado que escorre com o tempo.
Quase beirando a língua, mostra-se na eminência de escorregar,
preso como pêndulo ao fundo da garganta seca.
Posso sentir seu pulsar leve, como vida distinta de mim,
entoando desafios, e mostrando-me o medo reprimido que cristaliza as idéias,
e aprisiona a alma.
Sem asas, depende das mãos espalmadas que tateiam a realidade em busca de brechas. Daquelas que permitem traduções ambíguas, para que os segredos não se oponham aos padrões.
Mas, munido de vontade, e coragem, fortalece o grito, tirando-o do âmago da vida,
libertando qualquer forma de sentimento oprimido,
para que as cicatrizes do peito, se fechem sem dificuldades e rapidamente...
PS:
Não sei dizer, o que minha poética deseja. Talvez o medo do vício cotidiano da escrita libertina, tenha, de alguma forma, vetado as tentativas de renovação. Sei, que de alguma forma, o verso se forma, sem que minha consciência saiba de sua procedência,ou de que assunto se trata. Talvez, amadurecido, possa sem dificuldades, escorregar pela boca, e pingar no peito como veneno. E ainda, abrir as portas para a enxurrada de poemas presos, sem possibilidade alguma de burlar os medos, e vir à realidade áspera.
Desejo com toda a intensidade, que o verso se aposse da boca, e libere, num só suspiro, todas as coisas que me sufocam.

sábado, 22 de maio de 2010

Poema para solteiros


Novo canto de apostasia triste: rima que parece encanto,
fala que lembra oração.
Noites e dias confusos imersos na solidão pós-sonho,
realidade amargurada, mãos que se perdem em bolsos,
risadas que se tornam vãs.
Cotidiano embrevecido,
sons que lembram derrotas,
decepções que se tornam provas de crimes perversos contra o ego.
Emaranhado de saudades, lembranças pálidas pintadas em papel toalha.
Momentos que remotam a momentos,
e a tantas vontades remanescentes...
Dor tamanha, sem fundo,
coração que atraca desesperado em ansiedades e desesperos.
Solidão tamanha, espera afundada em vazio.
Tanto medo, tanto medo,
tantas expectativas mortas com palavras pontiagudas.
Proteção retirada, portas destrancadas, vã guarda!
Mas, mãos leves, sem âncoras. Olhares libertos, despreparados!
Poesia requentada, retirada de bolsos, escritas em jornais, guardanapos, cantos de caderno,
a giz, a lapis, a sangue!
Mas, poesia, dessas libertinas, sem doçuras de romance.
Livre de suavidade, e cheia de pontas. Marcada como cicatriz de ferida fechada.
Coração grande, livre, cheio de um vazio espaçoso.
Convalescendo...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Sonetando 2



Os anjos se encarregam dos encontros,
esbarram no horizonte as almas que não se procuraram,
espelham em pedaços de papel os reencontros,
e desviam dos olhares céticos dos esclarecidos, os versos que desejaram.


Não é natural que o destino se enlace,
fita a fita, laço a laço,
na armadilha terrena que é o amor de impasse,
amuado, quieto, mudo, esparso.


Mas, de quietude é feito os céus,
graça azul de calmaria depressiva,
e de anjos instigados em solidéus.


E se empenham em tarefas incompassivas,
de desterrar corações quietos, dando-lhes amor,
não pedido, não desejado, invasor impertinente, assustador!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Abraço

Sabe mãinha, aquele dia que eu te abracei, e disse que era saudade?
Nem era tanto, era meu coração que doía, e eu não conseguia admitir.
Não tinha coragem de dizer, como é doloroso estar longe, e como amadurecer sozinha é difícil...
Como os simples casos de amor, tornaram-se balaios-de-gato em meu coração, e todos os meus sonhos mudaram.
Queria dizer, que não sou mais sua garotinha,
Que agora, meus medos evoluíram, e meu futuro não mais se resume ao próximo aniversário.
Não tenho mais vontade de cantar, e minha ingenuidade perde-se entre os dias que transcorrem obscuros.
A vida vem se mostrando cruel como nunca imaginei. O tempo canibal leva pra longe as esperanças, e cada dia passa sufocando as fantasias. Sim, cada noite que consigo dormir é um alívio.
Talvez, por colocar a cabeça no travesseiro, e ver perdurar somente a certeza de que tudo vai piorar. Que eu vou envelhecer, e ter que ralar muito ainda. Lembrar que logo adiante, a vida vai me cobrar todos os segundos oferecidos.
Não sei negar o orgulho,e sinto-me perdida, como o Crusoé. Ilhada, em mim mesma, fechada a todos que tentem se aproximar. Sozinha mesmo.
Não queria te contar, como os fins de semana são torturantes. Como a viagem de volta pra casa é torturante. Como sinto-me tão desconfortável sendo eu, que me dilacero todos os dias, pra ver se sobra espaço.
Que ás vezes, a liberdade vem me beijar, mas rejeito, por medo. Por culpa, ou por falta de certeza.
Eu chorei aquele dia, mas disse que foi a saudade. Estava era prestes a deixar o coração parar, de tanta tristeza. Essa, que me toma todos os dias, e se veste de mim, levando minha cara para todos os lugares que preciso.
Abracei-te por um segundo, desejando voltar para o teu ventre, e ser só pulsar, nada mais. Não ter que passar por tantos problemas, ter que fazer tantas escolhas. Ter que ver as pessoas que amo, magoadas por causa de atitudes mesquinhas e irresponsáveis.
Eu não te disse nada,e você nem questionou. Engoliu a desculpa esfarrapada da saudade.

sábado, 1 de maio de 2010

Persona non grata


É noite escura, uma Sombra* persegue-me, com o formato do corpo que eu não quis.
Sem asas, mas a uma velocidade assustadora,
milimetro por milimetro, ao encalce cego,
farejando meu cheiro, e ancorando-se aos meus pés.
De que adianta correr,
se de mim, não me escondo,
e o rastro meio escondido por entre as folhas secas, parece ser tão bom indicativo de passagem.
Poderia correr eternamente, e não olhar pra traz. E essa fuga constante, aliada aos relógios , nunca me levaria ao mais longe que pudesse do que me assusta.
Monstro de escuridão confusa. Cheio de fome de corpo,
desejando espaço para ser.
Espera os sonhos da noite, e cresce infinitamente, até tocar as pardes do corpo, por dentro.
E corro, e tento arrancar com as unhas, cravando-as no pescoço, para que se dissipe, para que meus sonhos, sejam indolores.
Ancora-se à realidade áspera, penumbrosa. Espreita-me de perto, quase beijando os lábios reais cor de rosa-clara.
Talvez, me encene do silencioso corpo mal iluminado, quase banhado de matéria, mas respingado de pedras e pó.
Eu sou o obstáculo, entre a sombra e a luz!
Preciso tornar-me transparente.


* Temática do Jung.


PS: Obrigada Allyne Araújo, do blog ' Êxtase e rock and roll ', pelo selo.



sábado, 24 de abril de 2010

Apanhador de Sonhos




Mandala silenciosa, de criação divina. Quem quiser que teça a própria teia da libertação.O sonhos, não se perdem nas teias do filtro,antes, conhecem o caminho do labirinto traçado, e podem chegar às mentes, sem esforços extras.
Fecha os olhos debaixo das penas, com a certeza de que só verá sonhos bons.
De olhos fechados, a realidade parece menos áspera,já que as músicas mudas que emanam da imaginação,musicalizam os instantes, e mascaram os ruídos tenebrosos dos pesadelos contínuos.
Parece mágica,
a visão obscurecida, abrindo-se para um novo mundo,
repleto de mistérios e cores.
Sonhos que invadem as retinas, e constroem esperanças,
As vontades que se mostram com cara,
quando antes, eram apenas abstração.
Intuições que predizem mais que mitificação:
avisos do inconsciente em alerta constante.
Só que ao ver-se de novo tocado pelo sol que renasce,
uma surpresa:
o pesadelo do dia, interrompido pela noite de sonho,continua donde parou!
E já não basta sonhar acordado,pedir aos céus que alivie o desespero,
ou tentar acordar da realidade.
Os sonhos ficam presos na cama.
PS: Queria escrever algo melhor, mas ultimamente, ando sem inspirações. Um abraço a todos.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Saudades I


Há tantos que se vão das nossas vidas abruptamente como entraram.
Esses, vem trazer-nos o frescor das tardes, e pintar nosso céu nublado com as cores das luzes. Encantam-nos com sorrisos, enchem nossos olhos de riso, porque riem com o corpo inteiro. Exalam cheiro inconfundível de almíscar e madeira. Sei o perfume de cor, a voz, as manias.
Trazem tanta felicidade, que fica difícil conter tanta coisa boa dentro de nós, aí queremos compartilhar, com o mundo!
Os olhos piscando, brilhando de contentamento,
as asperezas da realidade parecendo tão polidas, que podemos ver refletida nossa imagem, feito feltro pegadiço, arrematando todas as partículas de poeira do denso ar.
Pesado, é o peito, de tanto vazio.
Mas há de se dependurar nas lembranças, feito fotografias, o que houve de bom. O que houve de concreto. E novamente abrir as asas,
deixar de lado as cores do luto da morte do sentimento, e ascender,
entregar também o corpo aos céus, abrir a boca,
e deixar que as borboletas saiam do estômago com seu gosto de nuvem.
O coração, uma só ulcera em carne-viva, ainda pulsa, com a mesma intensidade de antes. Que o poema se prolongue então, que o verso se faça sangue, volúpia, pétala de flor!
Vão-se os amores, ficam os versos...



PS: pessoal, eu não consigo não postar...
=P
Beijos.

sábado, 10 de abril de 2010

Vôo


Foi voando como borboleta, que as asas se constituíram em instrumento de fuga. A cada vôo mal feito, a certeza da derrota, cada pouso forçado, um martírio longo de fim.
Mas, fora feita borboleta de asas desastradas. Todas as cores que se projetavam das cartilagens moles pouco densas, desenhavam no horizonte o arco das cores da sua imaginação. Beleza estabanada.
Cada suspirosa poesia, era feita como vôo completo. O que ansiava, e não se parecia com o seu próprio desaventurado vôo oblíquo,
mas uma coisa que sabia fazer, era se desviar dos obstáculos.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Sublimando.

Só digo a você, amigo, que se perde em poesias, deleitando-se das rimas como carícias de amante: não se iluda.
Tantos românticos se perderam nas sombras do próprio verso, e nunca encontraram os amores que ansiavam. Escreveram como quem reza, como quem faz ritual, e encontraram temores, medos, nostalgias.
Na vida real, daquele que não se importa com o transcendente, parece simples, dar as mãos e ver o pôr-do-sol.
E sorrir, e encher a boca com "euteamos" doces, remeter olhares, considerações.
Não passam de engodo!
Ontem eu até tentei escrever um verso, mas nas órbitas do que parecia sinceridade, uma sombra antropurpúrea pintou o olhar, como maquiagem de Messalina.
Me espelhei no que via como verdade, e certifiquei-me, mais uma vez, o ser humano é sórdido e egoísta.
Mas, agora, nenhum verso preenche a gula masoquista por tecidos sangrentos. A vontade ensandecida de comer meus próprios olhos, e despedaçar o coração num só gesto de raiva.




Ps: este não é o texto que prometi. Ainda virá. E acho que fui precipitada em dizer que acabaria com o blog. Vamos ver...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Adeus


O que o adeus, traz de concreto, senão o aceno final?
Os olhos que se perdem no horizonte,
a distância que aumenta.
Mas o Adeus é instantâneo, já que a falta vai habitar as lembranças,
e o ser, logo adiante, torna-se algo a parte do gesto.
Digo que, só se despede de alguém uma vez: dali a diante, aquele será outro,
e nós, ainda mais diferentes do que éramos.
Mas que seja.
Sei que o que fui ontem, não me completa mais,
não me satisfaz,
e o que serei amanhã, me deixa curiosa.
O gesto, é o que perdura. O aceno, carregado de sentimentos, e a saudade que preenche cada centímetro da distância. Estes não mudam, mesmo que o ser mude.
Perduram na memória, fazem-se presentes nos sonhos.
O adeus ao que já era,
é mais intenso.
Denota a dor da ruptura, e talvez, o alívio da partida.
Somos, em nós mesmos, uma ilha isolada (contrariando o Donne). Nos vemos mudando, e despedindo-nos do que fomos.
Não fui clara aqui, por falta de jeito.
Talvez eu abrace a transicionalidade. Admito que sou mutável, e a cada dia, um novo ser acorda no meu lugar, na cama.
Mesma cara, mas por dentro, fruta nova amadurecendo.
Hoje, tenho as decisões tomadas, com impaciência e parciabilidade escancarada.
Não consigo mais vir escrever(motivos meus).
O aceno é mais concreto, que a minha definição de mutação.
Por aqui, tempos perturbadores, e blog, em breve, fora do ar!
Adeus.








PS: Talvez, eu volte, não sei...Mas prometo que ainda esta semana, publico um texto. Um beijo carinhoso a todos. Obrigada aos seguidores, aos que curtem os textos, e comentam assiduamente. Até a próxima...

quarta-feira, 31 de março de 2010

Cor


Tua cor, como plano de fundo para minhas palavras pálidas.
Contraste.
Negro, da cor da noite estrelada!
Eu, sem brilho, esbranquiçada,
feito seda colada em tuas retinas.
Teu sorriso, resplandecente, plano de fundo para meus beijos mudos.
Completude.
Transparente , como o diamante polido!
E eu, imensamante profunda, escura,
feito precipício a absorver todas as delícias da tua boca.
Ps: o texto, é de algumas semanas atrás, rabisco do caderno de Ecologia. É a falta de tempo. =P

sexta-feira, 26 de março de 2010

Interior alheio...


Texto escrito em parceria com o Cau, do blog 'eu refletor'.

No inverno de uma alma que desejava a escuridão, o último ponto de um pensamento.
No ápice do que imaginava ser loucura que se estendia sobre os seus sentidos sem iluminação, em um todo de escuridão nefasta,
tomou a faca em sua mão e no espelho de sua lâmina, sua própria face sem vida.
Talvez mais frio que o metal afiado, mas não tão reluzente. Suas idéias profanas tornavam opacos seus vértices.
Não se via no horizonte mais como vida, mas como um pedaço putrefato de carne destinada aos abutres pseudo-racionais, ávidos por sangue.
Seu coração palpitava em desespero conformado com as dores de um passado relutante.
Não quer, não pode acordar. Os gritos infernais tiram suas forças gradativamente. Os demônios interiores que o acusam são mais fortes, são unânimes na premissa de que culpado se morre.
E morte honrada é a de quem não chora, não vacila, de quem não implora e expõe o pescoço ao carrasco que ostenta em seu peito o brasão do abutre maior.
Abaixo do sol apenas Ele. Seu bico corta ao meio os infiéis. Por isso, todos devem ter os joelhos amarrotados. Assim conseguirão a salvação dos astutos. Contudo não há salvação quando o julgamento antecede a vida e a pobre alma escura, profunda, destruída, cheia de sombras e demônios obscuros que acusam, medos que percorrem as veias como vermes; não têm escolhas a não ser render-se, erguer os braços e soltar os ideais no infinito.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Dúvida...

Dúvida é dor, quando sucumbe as esperanças, e atropela com vontade o amor próprio. Doído, sentir doer o peito, sem ter remédios que parem o processo de autofagia, ou desacelere as contrações, para que no mediastino repleto de farpas, um pouco da homeostase possa alinhar as certezas. Só, que não há tempo, quando se corre com o relógio em vantagem. Não há duvidas, quando o que está em risco, é mais valioso que a vida bombeada sem preocupações. De que vale o poema, se a verdade é agravante quase jurídica, se o peso da culpa se reflete nas rimas, causando desconforto no criador, que os vomita inteiros? Sad, but true... Não há escolhas, quando não há alternativas.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Pressa

Que vantagem tem quem acelera,
quem antes dos passos, faz honras de presença,
e se perde na vontade do futuro, e só?
Abre caminho beirando tempo,
mas se ilude apenas,
já que a marcação dos segundos não pára pra dormir.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Homeostase inversa

Eu queria somente respirar, sem os pesos tensionando as pleuras intactas. Respirar um ar novo, infectado de verdades, diferente do ar puro do interior das paredes da bolha.
Queria dominar as rédeas da língua,
e soltar aos quatro ventos, continuamente, as verdades interiores, vindas dos pulmões colapsados.
Depois do contato, a metabolização,
a oxidação confusa das células intersticiais dos pulmões, em contato com o oxigênio ácido da atmosfera natural.
Longe de filtros e Index, a realidade pura, se confunde com o desejo instintivo, e demanda trabalho ao cérebro pré-programado.
Vírus de desconfiguração instantânea, liberando portas de acesso, e livrando a razão da redoma do medo.
Cautelosamente, vasculhando as superfícies ásperas, com os pés descalços,
procurando suturas, junturas, pontos de contato,
mas só encontrando pontos de mutação.
E construindo casulo obscurecido, germinando idéias novas, com cabeça, tronco e membros, delimitando fronteiras infinitas, e desenhando horizontes distantes.
Sem objeções, o peito moendo as ocasionalidades, e substituindo a maquinaria enferma, por novas peças eficientes e intensificadoras.
Coração a mil por hora, pupilas dilatadas fagocitando todos os fótons iluminados, e desenhando no fundo da caixa preta, memórias que serão lidas futuramente, nalgum simpósio psicológico.
Nas veias, a adrenalina corre, feito areia em rio selvagem. Água turbulenta, de sangue plascentário, e imaculado. Retirando do âmago, as convulsas idéias, e entregando à mente, tradutora de imagens.
Longe do racional cérebro incansável, as mãos testemunham a formação dos versos doloridos. Descamados como as células do útero não-fértil.
Como sangue coagulado, nada agradável, as vontades são liberadas inconscientemente, mas não sem propósito.
Por fim, a homeostase inversa, é obtida, mas não sem dor.
Não há cirurgia que conserte uma mente aberta!


PS: desculpem-me o texto confuso. Sinto muito, mas foi o melhor que pude fazer. Não estou na melhor fase da minha vida, nem da minha poética. O tempo também anda escasso. É, momento de seca aqui no Poemas pelo Avesso. Aos amigos que acompanho os blogs e comento, desculpem-me o sumiço. Prometo comentar quando puder. Beijos.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Escrita antropofágica


Gosto-cor-de-sangue,
da caneta afiada entre os dentes,
doce, na boca,
escorrendo como prece
sobre o peito em chamas.

terça-feira, 9 de março de 2010

Formação material da alma, e comportamento parental...

Mistura de dois, que parece mais uma aberração.
Cromossomos fatiados, divididos aleatoriamente num processo químico casual.
Alelos em locus certos, pareados especificamente, de acordo com as funções que desempenharão.
Possibilidades infindas, diagnosticadas por enzimas específicas.
E de lá, a um pulo: a fala, a compreensão, a escrita.
Em poucos anos, para nós tantos, podemos desenvolver uma máquina incrivelmente poderosa.
Objetivo: passar meia-alma adiante.
E, mesmo que do nada, um piano de cauda caia sobre nossa cabeça, ou um pedaço de gordura venha interromper uma coronária, asseguraremos um lar* a uma prole ainda mais egoísta.
Nossa meia alma, estará lá, não deixando-nos ir por inteiro.
E pobre maquinária indefesa, nem sabe que o que a espera, é tão perigoso. Talvez, as marcas da nossa personalidade se reflitam nos produtos aleatórios dos processos naturais.
Seria bom, se nossos pensamentos pudessem se emaranhar no das nossas crias, e fazê-las cópias melhoradas de nós.
Não serve somente doá-las o ADN, temos que moldar suas personalidades, esculpir seu querer, fazer delas um boneco de pano, totalmente maleável.Afinal de contas, eles são parte da nossa alma.
Enquanto isso, os filhotes das leoas, aprendem a caçar, já que dali a uns dias, terão de sobreviver á natureza, com a força física que lhes foi cedida.



*lar aqui se refere ao corpo, já que este é produto de um conjunto de instruções genéticas que obedecem ao padrão existente no ADN dos pais, passado aos filhos por hereditariedade.

OBS: desculpem-me a explicação meia-boca logo acima...Rsrsrs... Se não entenderem, é porque expliquei com minhas próprias palavras...

domingo, 7 de março de 2010

O Circo


Os olhos de menina, ressuscitados dos recônditos da alma,
rebrilhavam, e refletiam a fascinação das cores.
Sob a abóbada estrelada, azul celeste,
e tantas vezes colorida, feito aurora boreal de pano!
Ah, o circo, e sua mágica engraçada!
Tantas cores, tantas fantasias. A mente, nem lembrava que truques se constroem da ilusão dos tolos.
Mas não era tola, a garota grande, de olhos brilhando.
Nem lembrava que a morte, assolava o chão,
enquanto a bailarina sorridente se equilibrava num pano pendente.
A moça pintada, vestida de amarelo, quase podia tocar as estrelas pintadas com imperfeição no teto móvel...
Mas, num movimento belo, se jogava do alto, e quase tocava o chão.
Eram tantos artistas, arriscando muito,
em troca de simples risadas.
Talvez, também pelo dinheiro dos ingressos,
mas, no fundo, o palhaço entristece, se uma criança não sorri.
E ela, sorria, mesmo sem ser criança,
ou sendo, por um curto espaço de tempo,
trazendo de traz, o passado que viveu um dia.
Após tanta fascinação,
viu o picadeiro escurecer, e o palhaço se despedir sorrindo.
As pipocas, já haviam acabado,
e lá fora do mundo circular do palco,
a realidade era fria.
Início de março, bem a noitinha,
dali a pouco, seria amanhã.
Ao dormir, com as mãos juntinhas, feito travesseiro,
os sonhos chegaram pesados,
e a criança encarnada, sumia subitamente.
Ahhh, a magia do circo!
Crédito da imagem: Luciana Carina S. Laundos
Ocorreu um erro neste gadget