terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Abismo



"Nós nunca nos realizamos.
Somos dois abismos - um poço fitando o céu."
(F. Pessoa)

Eu, uma profunda plenitude escura e quieta a colecionar mistérios invisíveis,
asculto, do mais alto firmamento
os sons da vida que ultrapassam,
a vastidão iluminada e dinâmica.
Um abismo indo para outro abismo,
entreolhando-se infinitos.
E o horizonte é uma ilusão carrasca,
pois não permite contato:
o céu nunca é profunda escuridão.
Você, imponente em seu celeste trono de glórias,
e eu, de escuridão repleta e gasta.
Não há palavra que nos encontre.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Ciclorama



De profundíssimas vastidões cansadas
forma-se um eu tão antigo quanto o universo.
De átomos de longínquas datas
materializa-se um corpo tão cansado quanto o mundo.
E a consciência, nada mais que um sopro,
enche o corpo com um pesar antigo.
Uma existência lamuriosa como o contínuo murmurar de um rio perene: posto que nunca termina.
E nada mais importa, senão o acaso,
oferecendo a oportunidade de renovação, sempre e sempre.
E como uma supernova que explode, o eu decompõe-se em incontáveis particulas,
e reitera-se mais uma vez, e outras mais, para todo o sempre. Amém.

(créditos da imagem: http://jsmuralismo.blogspot.com.br/2010/12/desde-la-tipografia-mas-sencilla-la-mas.html)
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