quarta-feira, 29 de outubro de 2008

EPÍSTOLA


De que te comoves meu amor?
das lágrimas de vidro que dilaceram
meus olhos selvagens,
ou dos soluços silenciosos
que arrebentam a garganta e o peito,
em solavancos absurdos...
Ahh, a cabeça já não sofre mais
com a pretenciosa indiferença,
e minhas mãos cansadas de escrever,
despejam palavras sem dono, criptografadas de um sentimento delirante...
O que espero então?o que diz o teu olhar vago e distante?
as tuas palavras chegam a mim como o eco de emoções remotas,
quase ilusórias,
e caem no meu coração, despejando-se
como estalagmites e estalactites...
Ai amor, por que te comoves?
desta situação deplorável de perda,
uma deriva sem fim, que separa-nos
a cada pulsar dos aurículos...
Ahh meu bem, meu coração já nem
dói mais, nem minha mente descontrola quando leio teu nome.
A ignota distância já cumpriu o seu papel, de transformar-te numa
emblemática e frágil imagem de vidro.

terça-feira, 21 de outubro de 2008


Eu queria me esvaziar de tudo o que sinto agora,

como se esvazia um vaso com água...

queria planar como uma folhinha que o vento leva,

errante à frente do horizonte...

mas não só ser carregada,

quero voar, subir, vencer a gravidade que me prende ao chão,

subir, subir e chover meu coração...

queria que num grito minhas angustias dissipassem...

queria um futuro sólido...

queria cair no mar,

ser concha,

ser peixe,

ser canoa,

ser corrente...

e flutuar sobre os mares,

e voar sobre os ares,

e ser livre para ser eu!!!

Eu, eu, eu dentro de mim, perdida...

descalça sobre o chão batido,

cabelos revoltos ao vento,

coração pulsando,

leve, livre...

a briza azul-fresca do mar roçando o rosto...

a felicidade está mais longe do que posso avistar,

mas posso sentir o seu frescor na brisa...

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Quem sou eu...


...uma garota, nem tão bonita, nem tão esperta,
nem tão inteligente, nem tão apaixonante....
esforçada talvez, engraçada talvez...só sorrisos...
nem assim tão legal ou divertida, apenas levemente salgada...
mar, sol, ar..."meu rosto vário desorienta as firmes pedras"....
o quê então....um misto de ficção, de fantasia, e concreto, cimento armado!
apalpável... não como a gisele bundchen que todos só conhecem as fotos...
eu de carne e osso!!!!
mil poesias se perdem dentro de mim, e os versos constroem meus sorrisos, e lágrimas, e cantos e danças, e sonhos....
eu estátua gelada e pálida de marmore, vejo o tempo passar sob a abóbada da acrópole antiga....
não sou tão velha, tenho a idade dos velhos românticos....
e fresca como a brisa azulceleste....
eu sou assim, de paixão, sentimento, emoção....
trago às costas, uma mochila e um violão....mas na cabeça, todos os sonhos do mundo!!!!Igualdade, amor, fraternidade, grito nas esquina....
nem tão bonita, nem feia....nem tão inteligente nem tão burra....
delirante talvez....teimo em ir contra o vento....
minhas pálpebras cansadas explicam isso....
"e o fim é belo incerto"....
eu assim, poesia, saudade, tristeza....
olho o horizonte e não me encontro....
a essencia de mim no ser amado, que ainda nem conheci,trescala....
o reflexo de mim nalgum lugar do mundo...
e eu aqui,
nem tão bonita, nem tão esperta, nem tão apaixonante...l
evemente salgada, sem graça,tipo comida de doente,
mas vá lá,talvez meiga, solitária, apaixonada....
tudo atás do sorriso de lata...
eu só sorrisos, só brisa, só canção....
meu violão chora as modinhas de solidão,
e meu coração chora as mágoas de saudade...
eu verde-esperança, e templo de pedra....
nem sereia, nem afrodite....
mas voz e violão...
nem bonita, nem feia, nem fede, nem cheira...
poeira cósmica!
eu de encontros e desencontros...
leituras e releituras, contexto e contextualização....
a gramática não convence,
prefiro ser coisa, ser rã ser árvore...
mas por que diabos as
"formigas entram em casa de bunda"?
e a maré sobe, a lua soergue no céu....
a "lua no céu...a lua no mar"
e eu "na torre a chorar"...
eu, nem tão bonita, nem tão feia....
meu eu-poético esvaí-se em versos acres como o cigarro fumado entre cafezinhos...
vai um fósforo?acenda teu cigarro....
eu, metamorfose ambulante,eu em busca de mim....
quando nasci um anjo torto desses que vivem na osmbra disse:
-"vai Aline, a vida te espera....seja Goche, seja esquerda, seja você mesma!"
não sou tão feia que não possa casar"....e acredito em parto sem dor....
assim, nem bela, nem fera....
mas fresca...
leve brisa de verão que refresca tudo....
e vou longe...lá onde os olhos ainda não enchergaram, nem as narinas respiraram....
lá onde eu nem imagino chegar...
quem sou eu,
não atrevo dizer, pois sou tudo, pois já sofri de amor,
já chorei assistindo filme e comendo pipoca....
ri quando não conseguia chorar....
já fui patética, e ás vezes ainda o sou...
meu travesseiro conhece meus sonhos e pesadelos,
meu coração não!!!
meu cupido éh burro...talvez seja meu coração....
o tempo passou por mim um dia, em sua velha canoa...
indagou o que eu fazia....
procurava o amor, mas como o encontraria??
"Lay your head on my shoulder
everything is gonna be alright baby dont you cry
dont you worry bout a thing i see a rainbow at the end
its gonna be alright...."
eu, um misto entre sou, e o que fui, o que sou e o que quero, entre o que sou e o que quero ser....
uma sombra da realidade que rodeia,
um resquício do que sou do avesso....
bem bonita, ou legal, ou inteligente...
"mulher é desdobravel. Eu o sou"!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

planar...


Lara, Lara,
leve lara,
uma branca pena
que cruzou o céu da
minha existência...



Um planar macio,
leve,
devagar....
como as árvores que balançam ao vento...



lara,lara, doce lara,
seu voar cessou,
num suspiro...
e repousas em

pálidas flores...



te vi passar suavemente,
te vi sumir no horizonte...
lenços brancos de saudade para ti acenam,
certeza de lembranças eternas...



lara, lara,
inesquecível lara,
seus dias permanecem nas memórias,
sua voz dissipou ao vento,
e agora compõe lindas flores...



Lara, Lara
pra sempre, Lara...



* saudades eternas...
descanse em paz, com Deus...
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****
O dia demorou a amanhecer...
mas logo, o céu abriu-se
esplendorosamente
para recebê-la...
Larinha, mui amada por Deus...
"...tenho certeza que vou te encontrar,
não sei o dia nem a hora,
mas sei o lugar,
sei que você está bem, e mesmo assim,
isso não me impede de chorar..."
A tempestade e o sol-Banda Catedral
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