segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Petição


Hei de compreender-te
sentimento fatal de afeição...
vens e vais como as
chuvas de verão...
não te demoras em lugar algum,
e ao mesmo tempo,
esperas a eternidade
para se fazer valer de testamento...
vives da emoção, e da cegueira,
de quem, devotamente,
o deixa habitar no regaço...
e enches o peito até rebentar
de poesias e emoção...
Diga-mo que queres...
que vantagem levas em marejar
olhos tão desgarrados,
em macerar tão pobre carne,
com dores tão intensas,
que atinjem a alma?
Ainda hei de convencer-te ,
sentimento traiçoeiro de amor, a partir...
poderias deixar meu coração livre,
até amanhã de manhã?
concederia-te ainda um sonho,
desde que este fosse terno e deliberado...
amanhã, de malas prontas,
poderias viajar, e afetar outros corações....
novos...
deixai o meu em paz!!!!
permitas que as lembranças,
descansem tranquilas, e cessem...
e não mais me assombrem...
Ainda verei-te partir,
óh paixão arrebatadora...
esperaria todo o tempo,
se não estivesse certa da tua inutilidade...
como poderia ser tão certa esta partida?
se escrevo, ao mesmo tempo que sinto...
como poderia eu, de certo modo argüir-te de entristecer-me?
ahhh, qual entranhado estás,
que nem com as unhas consigo
retirar-te do meu peito sangrando...
só te peço, mais uma vez:
deixai-me, deixai-me!!!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

as palavras pintadas...

Não sei dizer o quanto há em mim de saudade...

só sei que o vento que sacode as tardes, trazem-me o frescor das lembranças.

e o cheiro das damas-da-noite, rescendem na madrugada, um odor de desejo...

na verdade, há uma nova tonalidade de verde cobrindo as paredes ensanguentadas de tristeza...

o tempo vai rolando devagar os segundos nos relógios:tictac...

ora ou outra vasculho os ponteiros em busca de futuro...

nova sombra azul-turquesa, o céu da íris estrelada de sonhos...

nos lábios, um batom cor de paixão inebria os olhos...

e do interior vão brotando versos estranhos...

a tez, branca como uma rosa, demonstra a eternidade das coisas abstratas...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Sem Rima nem Nada...



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A manhã despertou cheia de medos....

nuvens pesadas de grossas gotas....

os sonhos da noite se escondem nos armários,

e rescende um cheiro de café...

cheiro amargo de dúvida,

cor sem brilho de solidão....

lá fora está como o meu coração...



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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A redoma da covardia


Se eu tivesse coragem não estaria aqui tão incerta,

com os pensamentos dia-a-dia vagando a esmo

pelas perguntas sem resposta.

passo devagar, mente concentrada, olhos voltados para o interior,

em palavras, gestos, que reacendem na memória

a esperança quase ilusória

de um algo-mais que ficou para trás...

na superfície ígnea da falsa compreensão,

das palavras não-ditas,

presas em olhares flamejantes...

um quê-de-mistério, de-saudade rondam as lembranças,

e trazem de vez só, uma vertigem louca, um medo impetuoso,

de perder devagar, a mesma essência do olhar,

daquele minuto inesperado,

que se dissipa nas fibras nervosas em constante agitação...

Se eu tivesse coragem,

me atiraria de vez da pedra mais alta,

neste oceano escuro de lágrimas secas, e nadaria o mais profundo que pudesse,

sem medo do que ira encontrar...

Se eu tivesse coragem, aí sim,

despejaria de uma só vez,

todo o acervo de versos, segundos, horas, meses perdidos a tentar transpor

a longíqua distância que me separa do pensamento da lembrança,

para o futuro tão almejado em sonhos...

Se eu tivesse coragem, não me prenderia a vocábulos,

e me jogaria no tempo e momento que pude viver...

dessas tantas, só sei que o passado leva consigo as oportunidades, e a única coisa

que o futuro traz, é a curiosidade...


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