quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Inutilidade

"Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco."
(Carlos Drummond de Andrade)


  Começando do entorno sem precedentes, como quem parte do nada, para o interior do sistema fechado. O coração, bomba de quatro paredes, já sem sangue, parece menos desprezível, do que o era, sofrendo palpitaçães bestas.
  Já era o mundo, com suas cores claras, e os corações desenhados a tinta de caneta rosa, nos cadernos de folhas com molduras de florzinhas. Os poemas em cantos de páginas, já não são elegias aos rapazes bonitos, de sorrisos encantadores.
  Na verdade, nem um verso seco se molda de romance. O amor mostrou-se inútil, como estratégia evolutiva para diversificação genética, e propagação efetiva de genes. A mesma maquinaria cega, que também leva adiante as instruções nos outros 'inconscientes', ou 'não-humanos', perde-se conscientemente e completamente.
  Agora então, energia condensada, matéria em forma de vida, descompassada, repleta de uma sombra junguiana macabra. Vazio do que seria o romantismo bobo, e sobrando uns versos reumáticos insosos, apregoando as dores, como escravos os pregões de cocadas.
  Sem as feridas, metaforicamente desenhadas na carne-viva, a dor não consegue dilacerar os tecidos saudáveis.
  E o amor, que seja inteiro, ou forte, não desvia-se de si, para uma escolha ou opção. É indissociável da vontade, mas obedece apenas a si, e pronto. Vontade que testifique os erros.

6 comentários:

FRGB disse...

Olá Nine! Bem, vale lembrar que todas as imagens aqui são exageradas e por isso não devem ser levadas de maneira ferrenha ou extremista.
O que R. Shinyashiki propõe é que, apesar de termos consciência dos problemas que nos rodeiam, e apesar de tentarmos superá-los na medida do possível, que aproveitemos os pequenos momentos e nos deliciemos com os morangos.
Viver o AGORA é um dos maiores desafios da humanidade muitas vezes ausente de si mesma.
Vivemos nos extremos: ou no passado, num o quê saudosista ou mesmo melancólico, lamentando o que se foi ou o que não foi feito, ou no futuro, com projeções do vir a ser que na maioria das vezes é ilusório e mesmo quando de concretiza não caracteriza o que esperávamos daquele tentame.
Viver o presente e o todo que ele acarreta mas aprender a observar e perceber a presença de certos morangos ou melhor, chances, que podem e devem ser deliciados naquele momento é o que vale. É o velho conselho "descobrir a felicidade nas pequenas coisas" escrito ou expresso sobre viés diferente.

Bom, acho que é isso.
Abraços

FRGB @ http://www.petalasdaurora.blogspot.com/

FRGB disse...

Seu texto me fez pensar e se pudesse expressá-lo em uma palavra seria:
cinza...
Mas dizem que cinza, ... bem,.. cinzas são sinal de recomeço não?
Só me intrigo em que inconsciente reside a sombra junguiana macabra e a que arquetipos assim se reporta...
Bom, devaneio meu. ^^

abraços

FRGB @ http://www.petalasdaurora.blogspot.com/

Linha disse...

Quem entende o sentido do amor? qm entende a sua função? posso dizer que ele vem p deixar a vida um pouco menos pacata, chata. posso dizer que ele vem p trazer tristezas e uma decepção desfarçada de felicidade.dificil caracteriza-lo. e continuamos sorrindo para o amor enquanto ele nos dá mais um tapa na cara.q tal se um dia resolvessemos engana-lo?fingir que amamos o que odiamos, que odiamos o que amamos, ou apenas ignora-lo como se fosse mais um daqueles panfletos de clinica odontologica entregue na rua: joga-lo no lixo!!!!mas nao dá, ele norteia ações de gente como a gente que escreve o que pensa para poder viver.
pq será q amo seus textos? eles me fazem pensar, e quantas coisas há hj no mundo q podem me fazer pensar? sao tao poucas, e seus textos sao uma delas...
te amo meu amor
bjo

meus instantes e momentos disse...

certos textos independem de comentarios, eles falam por si só.
Se comentam...
Que bom ler voce.
Tenha um belo dia.
Maurizio

Valéria Sorohan disse...

Ainda bem que o amor não depende do coração, e sim do nosso cérebro.

BeijooO*

Cau Metal Amorim disse...

tenso nine
e ao mesmo tempo cheio de verdades
adorei XD
so nao entendi pq" O amor mostrou-se inútil, como estratégia evolutiva para diversificação genética, e propagação efetiva de genes"
bjo

Ocorreu um erro neste gadget