sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Desjuvenescência


Na falta de um futuro que me caiba por completo,
Intero os dias, vivendo um presente desgarrado da realidade que aspiro.
Permuto com o tempo, partes que me completariam,
fossem dalgum modo encaixáveis,
e lhe oferto O meu tempo, o que resta.
E cada dia mais velha,
a velha pessoa que sou, torna-se mais marcada e vivificada,
mesmo que um tanto mais morta a cada segundo.
Mas, não ligo para o tempo que me amola aos poucos,
nem para meus versos cada dia mais cruéis,
nem para os inescrupulosos sentimentos que já nem doem tanto no coração calejado dos tantos anos que não tenho.
Envelheço ao ponto que a juventude se aprimora. Vejo nos dias, os resquícios das nostalgias remoídas,
e as precoces cãs resultadas da teimosia de reviver os passados constantemente, e sofrer por antecipação.
E já nem choro, nem temo. Prometo as promessas ditadas pelas circunstâncias, e esqueço-as ao passo que não as cumpro. Vejo os caminhos, e não exito em fechar os olhos.
Agora, o que percebo, é que os horizontes não são apalpáveis: Sempre vou estar entre o ponto de partida, e um destino intermediário. Não chegarei ao fim, antes que o meu próprio venha.
Mesmo que não valha mais a pena, desejo que os versos fiquem. Corroídos como a bagagem esquecida, carcomidos pelas traças cotidianas. Sem rimas, ou prosa que animem os sonetos. Mas que fiquem, como a puidez dos olhos dos velhos. As pupilas quase apagadas brilhando com a luz da sabedoria adquirida.
Ah, como a juventude me cansa! Não preciso de força, mas de solidão.




3 comentários:

Valéria Sorohan disse...

Com certeza não precisamos da juventude para tornar a vida mais divertida e melhor de ser vivida.
Meus parabéns pelo belo texto.

BeijooO'

Rodrigo Fenty disse...

Olá Nine! estava com saudades de vc e dos seus textos.

Me afastei muito do meu blog por causa da vida militar e das exigências da profissão, poderia ter feito um esforço, claro, mas fui tomado ao mesmo tempo por um desânimo que nem eu sei explicar.

É difícil manter blog's como estes sempre na atividade, mesmo quando escrever é uma das coisas que mais gostamos. Por isso admiro vc e outros amigos meus.

Agora vou ter que ler tudo o que eu perdi no seu blog, olha só que previlégio. Tô cheio de pensamentos que escrevi por todo esse tempo, em breve estarei postando.

Há coisas na vida que, para tornarmos possíveis, precisamos apenas da nossa alma, e esta dispensa todo e qualquer elemento cronológico né?

Tô de volta.
bj
Rodrigo Fenty.

ERICK MOURA disse...

quem escreveu esse texto tem 80 e poucos anos?
se não tem, o conhecimento ta caminhando pra isso, e que bom né?.
adorei a parte
"Não chegarei ao fim, antes que o meu próprio venha."
te adoro sua menina.

ERICK MOURA

Ocorreu um erro neste gadget