segunda-feira, 10 de maio de 2010

Abraço

Sabe mãinha, aquele dia que eu te abracei, e disse que era saudade?
Nem era tanto, era meu coração que doía, e eu não conseguia admitir.
Não tinha coragem de dizer, como é doloroso estar longe, e como amadurecer sozinha é difícil...
Como os simples casos de amor, tornaram-se balaios-de-gato em meu coração, e todos os meus sonhos mudaram.
Queria dizer, que não sou mais sua garotinha,
Que agora, meus medos evoluíram, e meu futuro não mais se resume ao próximo aniversário.
Não tenho mais vontade de cantar, e minha ingenuidade perde-se entre os dias que transcorrem obscuros.
A vida vem se mostrando cruel como nunca imaginei. O tempo canibal leva pra longe as esperanças, e cada dia passa sufocando as fantasias. Sim, cada noite que consigo dormir é um alívio.
Talvez, por colocar a cabeça no travesseiro, e ver perdurar somente a certeza de que tudo vai piorar. Que eu vou envelhecer, e ter que ralar muito ainda. Lembrar que logo adiante, a vida vai me cobrar todos os segundos oferecidos.
Não sei negar o orgulho,e sinto-me perdida, como o Crusoé. Ilhada, em mim mesma, fechada a todos que tentem se aproximar. Sozinha mesmo.
Não queria te contar, como os fins de semana são torturantes. Como a viagem de volta pra casa é torturante. Como sinto-me tão desconfortável sendo eu, que me dilacero todos os dias, pra ver se sobra espaço.
Que ás vezes, a liberdade vem me beijar, mas rejeito, por medo. Por culpa, ou por falta de certeza.
Eu chorei aquele dia, mas disse que foi a saudade. Estava era prestes a deixar o coração parar, de tanta tristeza. Essa, que me toma todos os dias, e se veste de mim, levando minha cara para todos os lugares que preciso.
Abracei-te por um segundo, desejando voltar para o teu ventre, e ser só pulsar, nada mais. Não ter que passar por tantos problemas, ter que fazer tantas escolhas. Ter que ver as pessoas que amo, magoadas por causa de atitudes mesquinhas e irresponsáveis.
Eu não te disse nada,e você nem questionou. Engoliu a desculpa esfarrapada da saudade.

8 comentários:

Patricia s2 disse...

Ah se pudesse voltar para o mundo
onde minha vida era simples e feliz...
Quantas vezes mesmo sem aceitar e até mesmo entender minha mãe aconchegou-me em seus braços como se nunca tivesse crescido e como se nada de mal acontessese.

Lindo post, beijuxus!!!

Valéria disse...

Super texto que você criou. Adorei..

BeijooO'

QueL MoraeS disse...

Uuh...
Criou um silêncio aki em mim.
Descobriu um mundo do pior jeito possível...
Texto triste, mas bonito.
Saudade de vc, amarela!
;*
Deus te abençoe!

M. D. Amado disse...

=(

Agnes Mirra disse...

Intenso, belo, instrospectivo e revelador.Cheio de sentimento!!! Perfeito pra sentir e pensar, adorei!!

ERICK MOURA disse...

Que saudades que nada, é uma dor bem maior, chega a ser tortura, dessas que te amarram numa cadeira na frente de uma parede branca, e você fica ali pensando em tudo,e se sente um NADA.

own, minha linda que vontade de escrever contigo.

hoje eu tive um pequeno tempo, acho que a VIDA teve pena de mim e me deu essa graça, aproveitei pra poder vir aqui.

to com saudades de vocÊ sua menina, e que fique bem claro que te adoro muito. bj

Anônimo disse...

Eu acredito em fadas...
Pq?
Pq acredito em falas!
Acredito na fantasia minha e de outro ser...
pq?
Pq só assim somos!
Então seja a magia, seja a tristeza,
mas seja a certeza de que ser
tem peso pluma ou chumbo
a depender da fantasia
que fazemos do momento!
Transforme, resignifique...
Grite e viva

Biopsicólogo Psicanalisando

Bjos

Tatiane Trajano disse...

Gritante!

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