domingo, 16 de janeiro de 2011

Compreensões sobre a reconstrução

Na casa das borboletas, mora uma vontade. Dessas absurdas, cheias de asas, e quase sem corpo. Colorida como a cor das florestas em flor.
Nasce da necessidade de ser. Ser algo mais que um mero espectro, programado pela natureza-mãe, para agir com o instinto. Talvez o instinto seja uma arma contra a natureza furiosa e perigosa, que impõe aos indivíduos um duelo invisível contra mundo que há fora.
Desenvolve-se como casulo, capa extrínseca, que recobre o metamorfoseante. O casulo demora uma eternidade, já que aprimora, perfeitamente, as qualidades do indivíduo. E este, apenas existe, enquanto o mundo exterior o declara falido. Ele embola-se num desespero inconsciente e cego, moldando uma aparência externa que o proteja de qualquer ambição alheia. Esconde-se.
Volta a um mundo "uterino", e conecta-se ao cosmos por um cordão umbilical imaginário.
Desfalece as pretensões de dor, e envolve-se num processo de RECONSTRUÇÃO.
Depois, um estalo praticamente inaudível, denuncia o parto que se estabelecerá. Durante um período relativamente longo de tempo, o indivíduo rasga a própria capa, para libertar o que ainda é um mistério até para si mesmo. Por muito tempo, permaneceu imerso em sua vontade, mas não tinha conhecimento da mudança que se apresentaria a si mesmo.
As asas esvaem-se como um vento colorido. Abrem-se para o mundo, como um arco-íris para a calmaria. Demora-se a reconhecer-se, como si mesmo. Mas, como presente, o céu.
O céu da terra, com todos os seus perigos, e feixes de luz. O aconchego das flores perfumadas, esperando apenas polinização.
A borboleta deixa de ser vontade, para ser agente de si mesmo. Sendo, conhece o mundo que a cerca, podendo observá-lo de uma ótica privilegiada: a do personagem dinâmico. O que se movimenta pelos caminhos, sem medo; o que destoa-se do resto, por ser belo; do que aventura-se, muitas vezes entregando a própria vida como garantia.
Mas, se vale a pena, ela não sabe. Anima-se com a idéia de viver, para ver (e ter, em algum momento, a resposta para os mistérios...)...

PS: o texto ficou muito filosófico, com um tom de auto-ajuda, mas, garanto que é muito mais que isso...


Créditos da imagem:
Quadro do artista Lucas Santana.
para conhecer mais do trabalho do artista, clique AQUI.

5 comentários:

Valéria Sorohan disse...

A imagem é linda.
A escrita é, sobretudo, um ato isolado de quem escreve; quando não lidas, são palavras ao vento.
Nunca uma palavra me salvou, Ainda assim, espalho-as para que a tempestade as leve, ou para que alguém me ouça. Basta um e terá valido à pena. Assim também é a vida, assim também são as borboletas.

BeijooO*

Juliane S. Rocha disse...

Essa é uma das transformações mais lindas. E por que não pode acontecer conosco, nao é mesmo? Sair do casulo para tornar-mos donos do destino.
Beijos e tenha uma ótima semana!

Agnes Mirra disse...

Incrivelmente leve...Mas embalado por imagens!Delicioso de ler...Parecia sentir uma brisa...Muito bom!

***MissUniversoPróprio*** disse...

E como se estivesse em um casulo, e como se borboleta fosse, fecho-me em meus pensamentos, torno-me pouco acessível, discuto com meu próprio eu, torno-me introspectiva e distante, afastada do mundo e próxima de mim, com o intuito único de renascer mais forte, bonita e renovada.

Texto maravilhoso.

Beijos e obrigada pelo carinho. ;)

Má Midlej disse...

Às vezes eu me sinto borboleta.

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