segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A redoma da covardia


Se eu tivesse coragem não estaria aqui tão incerta,

com os pensamentos dia-a-dia vagando a esmo

pelas perguntas sem resposta.

passo devagar, mente concentrada, olhos voltados para o interior,

em palavras, gestos, que reacendem na memória

a esperança quase ilusória

de um algo-mais que ficou para trás...

na superfície ígnea da falsa compreensão,

das palavras não-ditas,

presas em olhares flamejantes...

um quê-de-mistério, de-saudade rondam as lembranças,

e trazem de vez só, uma vertigem louca, um medo impetuoso,

de perder devagar, a mesma essência do olhar,

daquele minuto inesperado,

que se dissipa nas fibras nervosas em constante agitação...

Se eu tivesse coragem,

me atiraria de vez da pedra mais alta,

neste oceano escuro de lágrimas secas, e nadaria o mais profundo que pudesse,

sem medo do que ira encontrar...

Se eu tivesse coragem, aí sim,

despejaria de uma só vez,

todo o acervo de versos, segundos, horas, meses perdidos a tentar transpor

a longíqua distância que me separa do pensamento da lembrança,

para o futuro tão almejado em sonhos...

Se eu tivesse coragem, não me prenderia a vocábulos,

e me jogaria no tempo e momento que pude viver...

dessas tantas, só sei que o passado leva consigo as oportunidades, e a única coisa

que o futuro traz, é a curiosidade...


4 comentários:

Beta Profice disse...

Sei que parece incoerente mas, se hoje eu pudesse dar um conselho, seria: Não tenha coragem!Nem sempre é válido, ainda mais quando do outro lado existem olhos, mãos, gestos e silêncios covardes...Quem tem coragem leva o tombo mais doloroso, quem não tem sabe disfarçar melhor...
Sim, eu estou um tanto amarga, e posso garantir que não foram os litros de café que tomei nos ultimos dias, é só decepção mesmo!
Bjo*

Mamello disse...

E o futuro depende do que somos, do que queremos e do que almejamos agora.
=)

grandes idéias disse...

Coragem e covardia parecem andar sempre juntas. Navegam em um mar que eleva sei la a onde. Carregam consigo todos aqueles que se acham aptos a guerrear em prol de um bem ou mal maior(quem vai saber?). Mas, o final é bem desesperador: todos morrem, sim morrem em suas desesperanças e amarguras. De que adianta ter coragem se no final nos perguntamos: Ter coragem de que e para que?

Égila disse...

Nossa como eu me identifico com a sua forma de escrever!
Voce faz muitas indagaçoes ao seu eu... apesar da duvida entre a coragem e a covardia... existe o ousar em escrever, amO!

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