quinta-feira, 10 de junho de 2010

Ando tão à flor da pele, "Às vezes"...


Não sei por que cargas d'água, toda vez que tento iniciar um trecho, o tão fadado advérbio de TEMPO: "Às vezes" me acomete, preenchendo todo o espaço, como se Se bastasse por si mesmo.
Nessa hora, o relógio pára, os ponteiros descansam do trabalho eterno de personalizar os segundos que morrem: pequeno espaço de tempo.
O gosto de sangue, preenche o branco do documento, com um gosto amargo, fazendo incidir sobre mim, o vazio enfadonho da tela. O texto em branco me acomete,
e o meu tempo, preenche o espaço do documento em branco. Sangue, muito sangue das minhas horas, que escorre sem proveito, indo manchar o que seria poesia.
Depois, a depender do momento, um ponto, uma vírgula, reticências infindas vão modificar a precisão da expressão,
talvez fazendo ecoar em mim alguma certeza desmerecida,
ou aumentando a solidão do branco.
Nessa troca, sem retorno, me agiganto em solidão clara, apagando os versos doloridos,
que talvez fossem o indicativo de alguma vida que valesse a pena.
Marés, e marés de pensamentos que se escondem no cansaço,
ou no costume de ouvir músicas que me ditem o que sinto,
sem que eu precise processar as informações.
Às vezes, só às vezes, o "Às vezes" torna-se impreciso. Parece dizer mentiras sobre o tempo do meu relógio psicótico,
e minha eternidade ínfima, parece padecer no fracasso da vida que prossegue sem se deparar com a transicionalidade.
Parece que "Às vezes" engana o peito. Mascara o que se indicia como "Sempre", iludindo-me que sou fragmentos de tempos esparsos!
Mas sou fragmentos de mim, que se eternizam nos pontos de "Às vezes", quando as excessões podem ocorrer normalmente, como fases reais de qualquer coisa que seja paradigma estancado!

Não sei por quê faz todo o sentido escrever um texto com duas palavras e um ponto. Faz todo o sentido que preciso, "Às vezes".


"...Meu Desejo se confunde com a Vontade de não ser..."

5 comentários:

M. D. Amado disse...

Às vezes fico com vergonha do que eu escrevo, perto do que você escreve. rsrs...

Por falar em TEMPO, tem TEMPO pra me ensinar? =)

Parabéns por mais esse belíssimo texto Nine. Obrigado por nos presentear com suas letras.

Valéria Sorohan disse...

Fazia tempo que eu não vinha aqui… está simplesmente lindooooo .

BeijooO'

- Dina. disse...

"Depois, a depender do momento, um ponto, uma vírgula, reticências infindas vão modificar a precisão da expressão,
talvez fazendo ecoar em mim alguma certeza desmerecida,
ou aumentando a solidão do branco."

Foi um prazer conhecer este canto.

Evelyn Ceinwyn . disse...

Gosto dos desenhos que tuas palavras fazem nos olhos.

Amei o texto.

Beijo

Patricia s2 disse...

"...talvez fazendo ecoar em mim alguma certeza desmerecida,
ou aumentando a solidão do branco.
Nessa troca, sem retorno, me agiganto em solidão clara, apagando os versos doloridos,
que talvez fossem o indicativo de alguma vida que valesse a pena."
Adorei...
vc escreve muito bem...
beijuxus

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