segunda-feira, 14 de junho de 2010

Saudades III

Vento, som que ecoa pelo vazio. Vento frio, que amortece os tecidos.
Solidão aguada, como caverna escura úmida. Profusão de eternidade silenciosa e cega.
Eu, caverna imensa, e ventilada. Ouvindo ecoar o silêncio, e as músicas que se tecem na memória.
Limitada por quatro paredes brancas, mais nada. De todos os lados, vertem sobre mim, os cantos livres de aconchegos.De olhos fechados, as ilusões parecem criar corpo, e me tocar...
Na memória, reacendem-se as lembranças de um passado não tão remoto, mas que causa saudade.


"Arrumei minha mala, de volta pra casa. E não posso mensurar a ansiedade que tenho para chegar. Me aninhar no ventre de casa, no meu quarto aconchegante, com teto virado pro céu. E devanear, esconder na escrivaninha todos os meus versos contidos na ânsia de tentar ser. Lá onde o celular tira férias, e se desprende da bateria, e onde eu tiro férias do mundo daqui de fora.
Lá, onde o mundo chega até mim, apenas como ruídos, e as verdades se mascaram sob o som do ventilador de teto incessante. Lá, onde a nostalgia impera, longe dos lápis de olho borrados, e cabelos penteados. Lá onde o amor, ressoa em modinhas de violão, reticentes e impiedosas, amortecendo as tristezas, e a solidão. Lá, onde o silencio é matéria prima de criação, e o escuro da noite, se transforma em sonho. Nem sempre bons, e aconchegantes. Ás vezes as noites são vazias, e percorrem rapidamente as horas, tornando-se dia, mais cedo.
E, logo será hora, de proteger-me na redoma inventada, e programada para conter meu sopro de liberdade. Já tenho saudade das limitações de impacto, causada pelas paredes de cimento frio.
Lá, onde minhas vontades são pecados, e minhas atitudes deploráveis. Lá, onde os pesadelos tem pena de mim, e me deixam solitária às noites. Lá, onde as lembranças são companheiras da existência injustificada.
Saudades de casa, meu exílio particular."

Não é mensurável a Vontade inquietante de voltar.

2 comentários:

M. D. Amado disse...

"De olhos fechados, as ilusões parecem criar corpo, e me tocar..."

Perfeito!

Valéria Sorohan disse...

Sempre tenho sensações similares quando olho pela janela de alguma aeoronave…
E o tempo urge, que bom!

BeijooO*

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