segunda-feira, 7 de junho de 2010

Verso sem tema...


Um verso, beira a vida transicional de poesia escrita.
Deseja desprender-se da eternidade do pensamento remetido ao acaso e para longe,
e desenhar-se, limitando-se a espaços em branco, e compreensões mínimas...
Fortalece-se na loucura que se forma, sob as asas da poética que necessita de vôo,
mas não encontra céu que a liberte da escuridão quase completa,
do ser trancado que escorre com o tempo.
Quase beirando a língua, mostra-se na eminência de escorregar,
preso como pêndulo ao fundo da garganta seca.
Posso sentir seu pulsar leve, como vida distinta de mim,
entoando desafios, e mostrando-me o medo reprimido que cristaliza as idéias,
e aprisiona a alma.
Sem asas, depende das mãos espalmadas que tateiam a realidade em busca de brechas. Daquelas que permitem traduções ambíguas, para que os segredos não se oponham aos padrões.
Mas, munido de vontade, e coragem, fortalece o grito, tirando-o do âmago da vida,
libertando qualquer forma de sentimento oprimido,
para que as cicatrizes do peito, se fechem sem dificuldades e rapidamente...
PS:
Não sei dizer, o que minha poética deseja. Talvez o medo do vício cotidiano da escrita libertina, tenha, de alguma forma, vetado as tentativas de renovação. Sei, que de alguma forma, o verso se forma, sem que minha consciência saiba de sua procedência,ou de que assunto se trata. Talvez, amadurecido, possa sem dificuldades, escorregar pela boca, e pingar no peito como veneno. E ainda, abrir as portas para a enxurrada de poemas presos, sem possibilidade alguma de burlar os medos, e vir à realidade áspera.
Desejo com toda a intensidade, que o verso se aposse da boca, e libere, num só suspiro, todas as coisas que me sufocam.

3 comentários:

M. D. Amado disse...

Tem coisas na vida da gente que vem como presentes embrulhados em fitas que não podemos ver.

Uma delas é a amizade e a parceria literária que essa talentosa menina me deu. Amo tuas escritas e me orgulho de poder escrever com você.

Te adoro, Sempre!

Anônimo disse...

A sua habilidade nata para a poesia já é minha velha conhecida, até porque, por vezes ela se manifesta na oralidade, sem que você a perceba.
Mas confesso que não esperava que por tão cedo, fosses perceber que por aí vai tudo o que lhe sufoca, e, se não estou enganado, já é mais do que tempo de romper de vez com 'todas essas coisas que te sufocam'...

To sabendo que não falo coisa com coisa, bem por isso costumo ler seus textos, e manter-me preso no silêncio...

Por fim, você e suas construções, literárias ou não, sempre me encantaram.

Johnny.

Débora Andrade disse...

Nine! Sempre leio teus comentários no Ilusionistas e passo por suas letras admirando todo teu talento com as palavras.

Por tudo que leio, só cresce, mais e mais, a admiração por ti.

Abraços carinhosos.

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