segunda-feira, 15 de março de 2010

Homeostase inversa

Eu queria somente respirar, sem os pesos tensionando as pleuras intactas. Respirar um ar novo, infectado de verdades, diferente do ar puro do interior das paredes da bolha.
Queria dominar as rédeas da língua,
e soltar aos quatro ventos, continuamente, as verdades interiores, vindas dos pulmões colapsados.
Depois do contato, a metabolização,
a oxidação confusa das células intersticiais dos pulmões, em contato com o oxigênio ácido da atmosfera natural.
Longe de filtros e Index, a realidade pura, se confunde com o desejo instintivo, e demanda trabalho ao cérebro pré-programado.
Vírus de desconfiguração instantânea, liberando portas de acesso, e livrando a razão da redoma do medo.
Cautelosamente, vasculhando as superfícies ásperas, com os pés descalços,
procurando suturas, junturas, pontos de contato,
mas só encontrando pontos de mutação.
E construindo casulo obscurecido, germinando idéias novas, com cabeça, tronco e membros, delimitando fronteiras infinitas, e desenhando horizontes distantes.
Sem objeções, o peito moendo as ocasionalidades, e substituindo a maquinaria enferma, por novas peças eficientes e intensificadoras.
Coração a mil por hora, pupilas dilatadas fagocitando todos os fótons iluminados, e desenhando no fundo da caixa preta, memórias que serão lidas futuramente, nalgum simpósio psicológico.
Nas veias, a adrenalina corre, feito areia em rio selvagem. Água turbulenta, de sangue plascentário, e imaculado. Retirando do âmago, as convulsas idéias, e entregando à mente, tradutora de imagens.
Longe do racional cérebro incansável, as mãos testemunham a formação dos versos doloridos. Descamados como as células do útero não-fértil.
Como sangue coagulado, nada agradável, as vontades são liberadas inconscientemente, mas não sem propósito.
Por fim, a homeostase inversa, é obtida, mas não sem dor.
Não há cirurgia que conserte uma mente aberta!


PS: desculpem-me o texto confuso. Sinto muito, mas foi o melhor que pude fazer. Não estou na melhor fase da minha vida, nem da minha poética. O tempo também anda escasso. É, momento de seca aqui no Poemas pelo Avesso. Aos amigos que acompanho os blogs e comento, desculpem-me o sumiço. Prometo comentar quando puder. Beijos.

7 comentários:

Valéria disse...

Lá vem você com esses titulos confusos e seus texto complexo construindo casulo obscurecido, germinando idéias novas..tá tá tá eu tenho uma mente aberta...rs

BeijooO'

M. D. Amado disse...

Se você não está na sua melhor fase poética agora, então... Nem dá para imaginar quando estiver.

Beijos!

Fabio Rocha disse...

Eu gostei...

Beijos

.Dina. disse...

"Longe do racional cérebro incansável, as mãos testemunham a formação dos versos doloridos. "

Perfeito!

Adorei!

Grande beijo!

Luan Fernando disse...

Faço dos teus sonhos os meus...Quero fecundar enormes ideias, e levá-las ao horizonte.

Beijos
Obrigada pelo apoio.
Juliane

Cau Metal Amorim disse...

é sempre muito complicado descrever tudo oq se sente em meio a trilhoes de reaçoes q acontecem dentro de nós, mas vc consegue descrever muitas dessas reaçoes Nine XD
bjo..

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Vários textos remetendo ao ato de respirar, à necessidade de ar puro e um mais belo que o outro...

Virei outras vezes respirar o ar de não-tão-serena poesia [pois que tensa, angustiosa, mas - como diz uma amiga - se revira é bom!], e não menos bela...

just breath

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