sexta-feira, 26 de março de 2010

Interior alheio...


Texto escrito em parceria com o Cau, do blog 'eu refletor'.

No inverno de uma alma que desejava a escuridão, o último ponto de um pensamento.
No ápice do que imaginava ser loucura que se estendia sobre os seus sentidos sem iluminação, em um todo de escuridão nefasta,
tomou a faca em sua mão e no espelho de sua lâmina, sua própria face sem vida.
Talvez mais frio que o metal afiado, mas não tão reluzente. Suas idéias profanas tornavam opacos seus vértices.
Não se via no horizonte mais como vida, mas como um pedaço putrefato de carne destinada aos abutres pseudo-racionais, ávidos por sangue.
Seu coração palpitava em desespero conformado com as dores de um passado relutante.
Não quer, não pode acordar. Os gritos infernais tiram suas forças gradativamente. Os demônios interiores que o acusam são mais fortes, são unânimes na premissa de que culpado se morre.
E morte honrada é a de quem não chora, não vacila, de quem não implora e expõe o pescoço ao carrasco que ostenta em seu peito o brasão do abutre maior.
Abaixo do sol apenas Ele. Seu bico corta ao meio os infiéis. Por isso, todos devem ter os joelhos amarrotados. Assim conseguirão a salvação dos astutos. Contudo não há salvação quando o julgamento antecede a vida e a pobre alma escura, profunda, destruída, cheia de sombras e demônios obscuros que acusam, medos que percorrem as veias como vermes; não têm escolhas a não ser render-se, erguer os braços e soltar os ideais no infinito.

8 comentários:

Regina Zanette disse...

Um texto de tamanha beleza como este não merece nenhum argumento das minhas palavras.
To seguindo.
http://b-noitecinderela.blogspot.com/

Léo Santos disse...

É... Me impressionaram! Esse juízo final então também pode acontecer em vida, hummmm... Bom saber!

Um abraço!

Rosival Evangelista disse...

olá nine,muito bom o texto, ótima parceria!
Tenha um ótimo fim de semana;)

Viajei nesta frase: No inverno de uma alma que desejava a escuridão, o último ponto de um pensamento.

Valéria disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Valéria disse...

Eu vejo aqui uma criatura sem esperança nenhuma! Uma sombra.

BeijooO'

Sylvia Araujo disse...

Sempre é noite no inverno das almas sofridas. Sempre é inverno nas noites de trovões no peito.
Dolorido. Muitíssimo dolorido. Mas ainda assim lindo!

Meubeijopravocês (os dois sensíveis)

Camila disse...

demasiado forte,profundo.
Gostei das caracteristicas do texto :)

O Profeta disse...

Conferi o rumo com um golfinho zombeteiro
Uma baleia branca sorriu em brancura
Um bando de voadores peixes cruzou comigo
Um peixe-anjo subiu na vaga e sorriu com ternura

Contei cada vaga que me afagou o olhar
Lancei em sorte uma esperança esquecida
Quanto sal tem a beleza da maresia?
Para onde viajam os sonhos de uma gaivota adormecida?


Boa semana


Mágico beijo

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